Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Observatório

Pedro Silveira Botelho

 

 

A Vida é um Futebol

 

Tem sido com pouco orgulho que tenho visto os desaires da nossa selecção de futebol, apesar da grandeza do estrelato de muitos dos seus componentes, entre os quais o mais recentemente eleito melhor jogador do mundo, também bota e bola de ouro.

 

É óbvio que um homem só não faz uma equipa, mas, entre os outros dez no relvado e outros tantos no banco, estão também vários dos que pontuam por esses campeonatos Europa fora, tidos como grandes estrelas nos clubes que os acolheram e que lhes pagam fortunas todos os meses. E que jogam e marcam golos. Lá!

 

Portanto, é com indisfarçável estranheza que não percebo porque é que não funcionam em conjunto, cá, pondo em risco a sua participação no próximo mundial do ano que vem, como é muito provável que aconteça.

 

É do seleccionador, dizem muitos dos treinadores de bancada, é do protagonismo exacerbado de uns em detrimento do espírito de grupo, dizem outros, é do... sei lá o que dizem mais por aí. O que é certo, é que não marcam e não têm ganho os jogos que seriam decisivos para uma mais que esperada (mas talvez não merecida) qualificação.

 

Tenho a certeza que não sou o melhor comentador destes assuntos, pois não percebo patavina de tácticas e de estratégias de jogo, não faço ideia quem são os médios e os ponta de lança, os centrais e os defesas.

 

Mas irrita-me, no final destes desaires, as entrevistas de alguns intervenientes, que ainda se mostram satisfeitos, apesar do objectivo não atingido, pois ‘o grupo de trabalho jogou bem e criámos várias oportunidades de golo, mas a bola... não quis entrar... porque... o futebol é.... mesmo assim...’.

 

Ora bolas para paternalismos e para as estatísticas de jogo e as percentagens da maior posse de bola, do maior número de passes (não concretizados) e do maior número de remates (ao lado). O que queremos, para além de um espectáculo desportivo de se ver, são golos, são vitórias, são metas que atinjam os objectivos que estão em jogo. É ver profissionais que têm orgulho de o ser e que suam a camisola que defendem, com humildade e sem vedetismos.

 

Indisfarçavelmente, o paralelismo entre o que se passa no futebol da selecção e o país, insinua-se sem apelo. A falta de profissionalismo geral é marca que teima em nos sair da pele, os vedetismos têm mais mediatismo do que as atitudes assentes em valores mais válidos, os feitos para alimentar estatísticas (são só flores) enchem-nos os olhos de areia, os resultados tardam e os objectivos importantes não são cumpridos. Continuamos na cauda e não se vislumbra progresso. Temos que mudar de treinador!

 

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publicado por Ana Vidal às 09:30
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7 comentários:
De Pedro Barbosa Pinto a 2 de Abril de 2009 às 11:31
"... pois não percebo patavina de tácticas e de estratégias de jogo, não faço ideia quem são os médios e os ponta de lança, os centrais e os defesas."

É o Pedro e o Carlos Queiroz!

E olhe que deixar de se barbear para tentar perceber parece que também não funciona.

O problema parece estar nos jogos contra equipas como Malta, África do Sul, e até nas peladinhas dos treinos! Veja lá o Pedro que os tipos fartam-se a marcar golos! E isso baralha completamente o pensamento ao MISTER.

Abraço :-)


De psb a 2 de Abril de 2009 às 17:40
Caro Pedro
A diferença é que eu assumo publicamente a minha ignorância, por desinteresse, no assunto. Parece-me que o homem vai chegar a fazer trança na barba, pelo andar da carruagem. Quanto aos 'jogos imberbes', seria mais do que imperdoável perder ou empatar com 'ceguinhos' (que estes não me levem a mal a comparação).
Um abraço.
De Ana Vidal a 2 de Abril de 2009 às 17:55
Neste tema, nem pio... :-)
Beijo. Pedro
De mike a 3 de Abril de 2009 às 00:39
Pronto... com o devido respeito, já percebi que o Pedro não percebe nada de futebol. ;)
Já da vida... Abraço.
De psb a 3 de Abril de 2009 às 18:00
Mike
Não mesmo! Se lhe disser que só vi 2 jogos ao vivo, em alguns que já levo, não lhe minto. E o futebolzinho nacional em particular, deixa muito a desejar como espectáculo.
Um abraço.
De Luísa a 3 de Abril de 2009 às 01:20

Pedro, que temos de mudar de treinador fora do mundo dos relvados, parece-me absolutamente incontestável. Já dentro desse mundo, não estou tão segura. Vi o último jogo e achei que a rapaziada se mexe bem e faz bons passes. Apenas não utiliza a «técnica do cerco». Para quem não tem grande pontaria, a única solução é apontar muitas vezes, até acertar. Mas, para isso, é indispensável «cercar» a baliza adversária e não lhe dar descanso. Os nossos rapazes, no entanto, preferem mostrar domínio de bola e passeiam-se com ela pelo campo fora, alegremente, descurando a pressão contínua, molesta e desmoralizadora à defesa contrária. Está mal! Mudar de treinador, dizia? Talvez… E se me pagarem o que pagam ao treinador em título, estou disponível! ;-D
De psb a 3 de Abril de 2009 às 17:52
Luísa
A alegoria era mesmo a que se referia ao trinador fora dos relvados. Quanto ao outro, vão e vêm com os golos e as vitórias e, sinceramente, estou-me nas tintas.

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