Terça-feira, 31 de Março de 2009

Pocket Classic (O Primo Basílio)

Marie Tourvel

 

Você pensará em Madame Bovary, bilionário. Pode pensar, sim, já que Eça de Queirós é da mesma escola de Flaubert. Contemporâneo de Flaubert, tinham a mesma linha. Eça foi um dos melhores escritores em língua portuguesa. Aí você me pergunta: “De novo uma mulher que trai o marido? Você está querendo insinuar alguma coisa com isso?” Claro que não, amigo. Quero só mostrar a você os grandes clássicos. Não fique caçando mensagens cifradas em minhas lições. Eu só estou fazendo resumos para você. Vamos a ele:

 

História da sirigaita Luísa, uma moça que não fazia droga nenhuma da vida e era casada com Jorge, um engenheiro sem glamour nenhum. Ele viaja a negócios e ela começa um casinho básico com seu primo Basílio, um cafa* de marca maior, que havia sido seu namorado. Mas no caminho de Luísa tinha uma governanta. Havia uma governanta no caminho de Luísa (by Drummond). Passou o pão que o diabo amassou com as chantagens, já que Luísa, a burra, deixou rastros da traição. No fim morre a governanta Juliana e a Luísa. O marido fica sabendo de tudo e perdoa a mulher. O amante desgraçado ainda se lamenta porque perdeu a diversão em Lisboa.

 

Um detalhe importante: Na história, Basílio reaparece para Luísa, rico. Adivinhe onde ele ganhou dinheiro? Isso mesmo, no Brasil-il-il, Bananão-ão-ão.

 

Agora falemos das conversas que surgirão sobre o livro. Os intelequituais perguntarão se o livro só trata do adultério em si. Você diz imediatamente que não. Que o adultério é só um aperitivo. Que o livro trata de apresentar a degradação das classes burguesas de Portugal. Diga que as personagens não surpreendem e nem evoluem, apenas modificam-se pelas circunstâncias. Aí vem em minha cabecinha: “Eu sou eu e minha circunstância” frase de Ortega y Gasset. Nunca ouviu falar do Ortega y Gasset? Nem de Ortega sin Gasset? Ah, um dia falo deles por aqui. Eles perguntarão a você, possivelmente, sobre o Conselheiro Acácio. Não enfeite muito para falar nele. Só o descreva com palavras certeiras: defensor do governo e da monarquia; gosta da tradição, família e propriedade; símbolo da mediocridade e que tem por amante sua criada. Um chato profissional mesmo. Sobre Juliana, a perversa, diga que era uma rancorosa solteirona e muito invejosa. Pega bem você falar que era o “caráter mais verdadeiro do livro”, palavras de Machado de Assis, deixe claro isso. Sim, o Machado de Assis, aquele que escreveu sobre a Capitu, outra adúltera, ou não. Os intelequituais ficarão admirados por você saber que um dia Machadão fez uma resenha deste livro. Acho que depois dessa você pode levantar seu narizinho e se sentir um deles. Até eles, os intelequituais, já enxergarão você como um deles. Mas procure não se empolgar. Mantenha a devida distância. Eles são loucos para dar um bote. Peça licença e saia da roda. Vá para outra que devem estar falando de Balzac ou Sthendal.

 

Na semana que vem a pedido da querida Patti, falarei sobre “O Vermelho E O Negro” de Sthendal. Não, bilionários brasileiros, não é um livro sobre o Flamengo**. Tirem seus cavalinhos da chuva.

 

*cafa = cafajeste

**Flamengo = time de futebol do Bananão.

 

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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23 comentários:
De Ana Vidal a 31 de Março de 2009 às 11:47
Ah, Marie, acho que vou deixar de ler, definitivamente... para quê, se os teus resumos são melhores do que os livros??

"No caminho de Marie tem muita graça. Tem muita graça no caminho de Marie" ! (by Drummond, também)

Beijos
De marie tourvel a 31 de Março de 2009 às 12:12
Eça merecia uma atenção maior de minha parte, Ana. Mas em minhas "Letras" explico meu trauma. Um dia consigo vencê-lo. :)))))

Obrigada pelas palavras sempre tão gentis, amiga querida.

Beijos
De Rita Ferro a 31 de Março de 2009 às 12:31
«Ortega sin Gasset» é muito bom, Marie! Ainda a rir-me, beijo!
De marie tourvel a 31 de Março de 2009 às 22:21
Pois é, eu inventei um Ortega sin Gasset, Rita, querida. Se der uma visitada no meu bloguinho, nos "queridinhos da Marie" irá encontrar. Grande poeta, ele.

Beijos!
De patti a 31 de Março de 2009 às 16:05
Pobre sirigaita.
O Eça deve estar às voltas no túmulo de tanto se rir consigo, Marie.
Já agora e para aumentar a cultura dos seus queridos intelequituais, Flamengo também é um tipo de queijo, das nossas ilhas dos Açores.

E venha agora o Stendhal.
De marie tourvel a 31 de Março de 2009 às 22:24
Uma pobre coitada, Patti, querida. A moça nem pode rosetar com o primo que vem uma louca invejosa e tira sua alegria. :)))))
Coitadinho do Eça. Ele merecia destino melhor. :)
Esse queijo nunca ouvi falar, não. Me aguarde que em breve pretendo ir a Portugal. E quero encontrar todos vocês. ;)

Stendhal vem aí. Aguardemmmmm.

Beijos
De Luísa a 31 de Março de 2009 às 17:02
É sempre um prazer rever as histórias nas suas palavras, Marie. E comparar opiniões. E rir com as suas ironias e conselhos aos bilionários. Fica-se com imensa vontade de dar sugestões... :-)
De marie tourvel a 31 de Março de 2009 às 22:26
Pois eu quero isso mesmo de vocês, queridos comentaristas. Sugestões. Luísa, querida, você fez bem em falar sobre isso. E as suas sugestões, tenho certeza, serão de primeira categoria. Adoro você. ;)

Beijos e obrigada.
De mike a 31 de Março de 2009 às 22:00
Noossaa o quue euu me rii,, mArie... neem conssigouo escrevereee diireiittoo... ou será que continuo embriagado? Muito bom e obrigado pela gentileza, Marie. :D
De marie tourvel a 31 de Março de 2009 às 22:29
Acho que ainda está embriagado, Mike, querido. Você sabe, né? Os ébrios sempre riem mais que os sóbrios. :))))))))
Fico muito feliz que tenha gostado. Você viu naquele meu post como sou sempre simpática. :)))))))

Beijos
De Johnny na Babilônia a 31 de Março de 2009 às 22:29
Legal! Gostei!

Lembra daquela história do "Ortega y Gasset" que eu te contei?

Pois agora eu tenho outra, bem melhor! hahahaha

Beijos, querida!
De marie tourvel a 31 de Março de 2009 às 22:31
Ei, Johnny, querido, tudo bom por aí? Que bom que tenha gostado. Mal posso esperar por essa nova do Ortega y Gasset. hahahahaha

Beijocas
De JuliaML a 1 de Abril de 2009 às 00:04

impagável Marie! :-))
li de um só folgo :-))

não esqueceu quase nada,menina!
De marie tourvel a 1 de Abril de 2009 às 00:53
Júlia, querida, acho que se o nosso amigo bilionário ler meu resumão não fará figura tão feia nas rodinhas, não é? ;)

Obrigada pelo carinho. ;)

Beijos!
De léo mariano a 1 de Abril de 2009 às 02:50
Marie.

deixa de ser boba. Engasguei de rir! By Drummond é excelente.

abs
De marie tourvel a 1 de Abril de 2009 às 04:11
Bom que gostou, Leo, querido. Mas, convenhamos, você é muito generoso, né? ;)

Gostou do Drummond, né?

Beijocas
De marie tourvel a 1 de Abril de 2009 às 04:17
Perdoem-me. Parecia dislexia. Grafei o nome do autor de "O Vermelho E O Negro" errado. É Stendhal e não Sthendal.
Na próxima semana prestarei mais atenção. ;)

De STELLA TAVARES a 2 de Abril de 2009 às 01:11
Gostaria de apresentar-lhe o meu livro lançado em 2007, O Adestrador de Sentimentos, contos e crônicas. Vou publicando-o a cada dia no meu mais recente blog literário:
http://oadestradordesentimentos.blogs.sapo.pt.
Visita-me um dia desses. Vai me dar uma grande alegria. Abraços de sua leitora.
De marie tourvel a 2 de Abril de 2009 às 03:40
Stella, querida, não sei se foi para mim ou para a Ana que escreveu o recado. Em todo caso, entrarei no seu blogue literário. :)

Um grande beijo.
De STELLA TAVARES a 2 de Abril de 2009 às 10:41
Querida Marie Tourvel, o convite foi feito para você, para Ana, toda a equipe, todos os leitores, todas as pessoas que gostam de literatura. O meu blog, recém- chegado, anseia por leitores. Afinal este é o sentido das palavras: multiplicar, espargir. Agradecerei com grande afeto todas as visitas.

Beijos

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