Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

Momento brando

 

A nostalgia dos apresentadores, o luxo dos nomeados, o nome vencedor,

a surpresa da substituição, a doce plangência do discurso,

os apupos que provoca e a adesão unânime final.

 

E, para além disso, as interrogações que sempre nos desperta

o gesto de recusar um prémio:

 

É uma indelicadeza?

Um acto de coragem?

Uma sobranceria?

Uma demagogia?

Uma cartada mediática?

Uma generosidade?

 

E, no caso de se tratar de genuíno altruísmo,

não corre o risco de se desmentir

                                                 no meio de tanta exibição?

 

Ou os fins justificam os meios?

  

http://www.youtube.com/watch?v=2QUacU0I4yU&feature=channel

 

Hollywood, 1973

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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33 comentários:
De mike a 25 de Março de 2009 às 09:40
Sou sincero: tenho dúvidas. :/
De RF a 25 de Março de 2009 às 19:48
Sou sincera: também tenho :-))
De JdB a 25 de Março de 2009 às 09:47
A educação talvez mandasse receber o prémio;
A convicção talvez recomendasse recusá-lo.
Facilitaria a resposta a este post (se é que carece de resposta) que, para além das seis hipóteses (indelicadeza, coragem, etc.), houvesse mais uma: não sabe / não responde.
Voto nessa, por incapacidade de decisão.
Parabéns por um exercício que se mantém ainda actual passados 36 anos.
De RF a 25 de Março de 2009 às 19:54
Gosto da sua simplicidade, JdB. Vai rareando, sabia? Mais: invejo-a!
De Jorge Antunes a 25 de Março de 2009 às 09:52
Olhe Rita Ferro. Não sei o que lhe diga mas, com este meu espírito de ver o acessório, digo-lhe:
- gostei mais de ver a índia (squaw, não é?) do que o Marlon. A estética, sabe...
- sempre achei o Santo um canastrão e confirmei que já o era desde 73. Uma elegância, sem dúvida, mas aquela atrapalhação, que disfarçou bem, de regressar ao camarim com uma estatueta nas mãos. Não estava no alinhamento e isso de certeza que o perturbou.
Num registo mais sério, também não lhe sei responder. Talvez ir o Marlon e deixar o Óscar no palco. Pode ser?
De RF a 25 de Março de 2009 às 19:57
Pois eu acho que houve bastante produção naquela vestimenta apache, não lhe parece? Uma certa disfunção entre a humildade do discurso e o traje de gala. Uma subtil cedência, também ali, ao estrelato...
De maria a 25 de Março de 2009 às 10:32
parece-me ser de coragem, ser vertical em relação ao que se acredita
xi
maria
De RF a 25 de Março de 2009 às 19:57
Indesmentível, Maria. Indesmentível. Tudo o resto são cinismos...
De RF a 25 de Março de 2009 às 20:33
(cinismos meus, bem entendido...)
De rocha a 25 de Março de 2009 às 10:34
Caramba Rita o que te foste lembrar.... Maravilha!!! É para mim definitivamente um acto de coragem.....e ainda por cima onde ...Não é a entrega dos prémios da Mulher Activa , da Caras ou da Flash..se à nossa dimensão a Vicky Fernandes tivesse coragem , não fosse receber o prémio e o entregasse aquela senhora do Bairro do Fim do Mundo que mesmo sem Lâncome, sem Louis Vuitton, tem um sorriso diário na cara e uma pele luzidia e maravilhosa o mundo era na verdade a "better place"........
Os fins justificam os meios
Tua Rocha
De RF a 25 de Março de 2009 às 19:59
Sim, claro, muitas vezes: os fins justificam os meios! Grande Rocha: gosto de te ver por aqui!
De João Paulo Cardoso a 25 de Março de 2009 às 10:59
Final da Taça da Liga, Algarve, 2009.

O jogador do Sporting recusa uma medalha e atira-a ao relvado.

É uma indelicadeza?
Um acto de coragem?
Uma sobranceria?
Uma demagogia?
Uma cartada mediática?
Uma generosidade?

Não... apenas alguém sem padrinhos ou compadrios no podre futebol português digno de thriller de Hollywood...

Beijos.


A não perder em

http://oeldorado.blogspot.com

"O Homem-Traça e a Traça da Liga".

De RF a 25 de Março de 2009 às 19:59
Caramba, João Paulo, nem o Gregor Samsa!
De José António Barreiros a 25 de Março de 2009 às 11:14
Acho que é aquilo em que cada um se revir. Como todos os gestos simbólicos mediáticos corre o risco de ir da magnificência ao ridículo. O espectáculo é isso: a encenação do significado.
De RF a 25 de Março de 2009 às 20:00
Esmagada :-))
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 11:32
Adoro o Marlon Brando. Ele era um homem muito charmoso e tal. Só que achei extremamente indelicado ele mandar outra pessoa -posteriormente foi descoberto não ser uma índia, mas uma atriz, recusar o prêmio por ele. Ele deveria ir lá e falar seus motivos. Morri de pena da Liv Ullmann e do Roger Moore. Ficaram com cara de paisagem perante a situação. Tem certos homens que são bons de admirar de boca fechada ou só interpretando seus papéis no cinema. Marlon é um desses casos. George Clooney, também. Quando abrem a boca para darem suas entrevistas, geralmente são uns belos desastres. :)))))
Muito bacana trazer esse assunto pro blogue, Rita, querida. :)

Beijos!
De RF a 25 de Março de 2009 às 20:01
Vc só me dá desgostos, Marie: UMA ACTRIZ??? Então o Óscar deveria ir para ela, bolas!
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 23:43
É o que acho, Rita. Oscar para a falsa índia. E eu não quero causar desgosto em você. Quero toda quarta-feira poder ler o "Sou Sincera" porque é sempre texto da melhor qualidade. ;)

Beijocas!
De RF a 26 de Março de 2009 às 10:46
Não causa desgosto, estava brincando, Marie - foi maneira de dizer, mais nada :-))
De marie tourvel a 26 de Março de 2009 às 10:54
Eu também só brinco, Rita, querida. Mas que o "Sou Sincera" é do balacobaco não é brincadeira, não. Eu adoro. :)

Mais beijocas
De patti a 25 de Março de 2009 às 11:33
No meio de milhões de espectadores, que assistem a um dos maiores espectáculos do mundo, recusar a 'importância' de um prémio como o óscar, é sem dúvida coragem, numa versão de extravagância e temeridade.
Tivéssemos nós, mais destes actos politicamente incorrectos.

O que eu adorava este actor.
De RF a 25 de Março de 2009 às 20:03
E eu, Patti? Hesito até sobre se compro ou não a biografia dele, que saiu agora. Mas, caramba, com um título daqueles??? Só se forrar o livro! Dá-me acanhamento, juro...
De Ana lA a 25 de Março de 2009 às 12:12
Rita, boa questão! Tenho um tio que faz isto sistematicamente. Recusa todos os prémios, não dá entrevistas e odeia ser mediatizado. Dizem que ele é pretensioso , malcriado, ou simplesmente. adora ser do contra e dar nas vistas. Porque ele o faz, poucos sabem, só mesmo quem o conhece muito bem. Este caso parece-me diferente. Brando abraçou (supostamente) uma causa, usou do seu poder, para a e se lançar ao mundo. Brandou abraçou uma causa, mas não penso que tenha sido de forma totalmente altruísta. O contexto em que o fez, trouxe, sem dúvidas, mais benefícios à sua carreira que aos seus amiguinhos indios.
De RF a 26 de Março de 2009 às 10:48
E até é capaz de lhe ter trazido, além de uma causa, uma índia - admira-te :-))

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