Terça-feira, 24 de Março de 2009

Pocket Classic (Razão E Sentimento)

Marie Tourvel

 

 

Meu amiguinho bilionário, este foi o primeiro livro que li inteirinho e sozinha in english. Sense And Sensibility de Jane Austen. Ganhei um exemplar pequenino, porém limpinho, do meu pai. Ele me escreveu uma bela dedicatória, como sempre fazia. Presenteei uma pessoa que era –e ainda é, muito especial pra mim com o exemplar. Naturalmente a “pessoa especial” jogou o livro no lixo ou deixou cair uma xícara com café por cima, já que ele fez o mesmo comigo. Mas isso não vem ao caso. Não contei essa história pra sentirem peninha de mim. Contei porque assim você entende com minha historieta que às vezes faço besteiras e sou só sensibilidade, a razão passa longe.

Ao resumo:

 

Duas irmãs ficam na merda depois da morte do pai. O meio-irmão as sacaneia. Não dá pra continuar morando onde moram. Vão pro campo. Lá, elas têm que bancar as phinas pra arrumar casamentos com bacanas. As duas se apaixonam. Uma é prática e durona (Elinor), a outra toda sensível, cheia de querer sonhar (Marianne). Passam uns perrengues, mas casam-se e são felizes no final –sei lá se para sempre, pelo menos é o que aparenta.

 

É um romance rasgado e para falar dele com os intelequituais, basta dizer que Jane Austen tem uma elegância em descrever sua época como ninguém. Embora seja um enredo de casamento, você pode enfeitar um pouco o pavão e dizer que o objeto real de estudo é o que move a razão de uma e a sensibilidade da outra. O centro do romance é a evolução dos personagens. Diga que é uma satisfação ler Austen expondo o título do livro. Eles podem perguntar a você qual a melhor tradução para o título do livro, Razão E Sentimento, ou Razão E Sensibilidade? Embora eu simpatize com a “Sensibilidade”, o mais correto é “Sentimento” mesmo. Diga que a criação da perspectiva é conseguida através da linguagem, que muito bem colocada dá a impressão de conseguir moldar caráter. Já ganhou todo mundo com isso. E tenho uma dica: visite o blogue Jane Austen Em Português da Raquel que aprenderá tudo e mais um pouco sobre Jane Austen. Raquel até sugeriu um título, corroborado pela Letícia do ótimo Flanela Paulistana, bem interessante: “A Certinha E A Sem-Noção”. Eu gostei. Entre nós, bilionário, podemos até arriscar alguns títulos: A Durona e a Tonta”, A Clint Eastwood e a Lewis Carroll”, A Casca-de-Ferida e a Goiaba”, e muitos outros. Invente o seu título. Se sentir que os intelequituais estão calibrados um pouco mais que o normal, pode até fazer uma piadinha, mas tenha a certeza que beberam mais de três doses. Sei que vai dizer que o romance não é pra macho, é de mulherzinha. Mas saiba que até as mulheres mais duronas como Elinor simplesmente amam quando os moçoilos dizem que leram Jane Austen e ainda por cima comentam o romance. Ponto pra você. Nesta rodinha pode ter uma intelequitual bonitona que você está querendo há muito tempo. Sim, as intelequituais também amam e transam. É sua grande oportunidade. Só tome cuidado com sua Sheyla Shirley. Ela pode desferir o tal livro em sua cabeça.

 

Para a semana que vem ando numa dúvida atroz: Eça de Queiroz ou Stendhal? Voltaire ou Balzac? Ainda não sei. Deixem-me sair um pouco de minha veia sensível e não pensar mais no meu exemplar raro da Jane Austen manchado de café. 

 

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publicado por Ana Vidal às 09:30
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26 comentários:
De RF a 24 de Março de 2009 às 12:19
Hei, querida Marie, e que tal as Metamorfoses do Kafka? É denso pra caramba e era um favor que fazia à humanidade. Tanta gente aí que se suicida a meio da sua leitura!.... Não por empatizar com o Gregor Samsa, coitado, mas por se sentir tão estúpida que pensa não ter lugar neste mundo! (Quando é precisamente o contrário que sucede - ou não será?) Bom, a verdade é que sem a sua ajuda já ninguém se entende! Kafka ou não Kafka, mande mais! Beijo amigo, R.
De marie tourvel a 24 de Março de 2009 às 23:39
Ei, R., querido, acho que eu sou essa "gente" que se sente tão estúpida que penso que não tenha lugar neste mundo. E comigo não é o contrário, não. :P

A Metamorfose, claro, está na minha lista de "Pocket". Ainda não terminei, portanto acredito que não saia na próxima semana. Mas tentarei para a outra, está bem?

Apareça sempre.

Um beijo da Marie
De Rita Ferro a 25 de Março de 2009 às 10:11
Não sou querido, mas querida - espero eu :-)) Sou a Rita Ferro, Marie!
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 11:06
Que gafe a minha, Rita, querida. Eu ainda não me acostumei com sua assinatura, RF. Não esqueço mais. Obrigada por me avisar.
Um grande beijo. :)
De Teresa a 24 de Março de 2009 às 15:37
Lindo!
Todas as hipóteses apontadas para os próximos Pocket Classics sãp muiiiiiiiito prometedoras... :)

Grande beijinho.
De marie tourvel a 24 de Março de 2009 às 23:41
Teresa, querida, você é muito generosa, isso sim. ;)

Pode deixar que capricharei mais para a próxima semana, já que o desta semana por motivos meio chatos não ficou do meu agrado. :)

Beijos!
De mike a 24 de Março de 2009 às 19:17
Duas irmãs e quem faz sacanagem é o meio irmão? Nããã, Marie... uma delas sacaneia a outra, concerteza. (risos)
Se quiser fazer um agrado para este seu comentador embriagado com os seus Clássicos de Bolso nem hesite... Eça de Queiroz, o meu preferido. :D
De marie tourvel a 24 de Março de 2009 às 23:44
Mike, querido, a gente tem que colocar a culpa no homem, né? Já viu mulher não botar a culpa toda no cara? :)))))))

Pois na próxima semana farei um agrado todo especial pra você. Eça de Queiroz na veia. Escolho o título ou você escolhe? ;)

Beijos para o meu embriagado favorito. :)))))
De mike a 25 de Março de 2009 às 09:38
Escolhe a Marie, para ser surpresa... e não botar as culpas no homem, né? (risos)
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 11:09
Putz, Mike, eu já estava ensaiando para dizer: "Olha, o "Pocket" desta semana não ficou muito bom porque por mim escolheria outro título do Eça, mas o Mike quis esse, fazer o quê?" :))))))))) A culpa sempre ia recair em alguém, menos em mim. Agora terei que assumir sozinha, né? :))))))

Um grande beijo, querido.
De mike a 25 de Março de 2009 às 13:47
Putz, digo eu, que me deixa sem alternativa, cacete! É que um homem não pode deixar uma senhora no mato sem cachorro... :D
Agora vou ter assumir esse negócio com você, né? ;)
De Ana Vidal a 25 de Março de 2009 às 20:32
O Primo Basílio, pode ser? Ou A Relíquia... gostava de ver como sugeres que se fale, nas rodinhas dos intelequituais, da camisa de noite e da titi! :-)

Bem, escolhe tu o livro. Do Eça, são todos bons.
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 23:45
"O Primo Basílio" é uma boa pedida, Ana, querida. Acho que dá pra gente se divertir um pouquinho, não dá? ;)

Beijos
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 23:40
Já dei a dica, Mike, querido. Tem que assumir comigo, sim. ;) Vai dizendo o título logo aí... :))))))))))

Beijocas
De Luísa a 25 de Março de 2009 às 01:13
Querida Marie, aqui nos oferece mais um clássico do «Pocket Classics». Os livros da Jane Austen também foram, com os da Agatha Christie, as minhas primeiras leituras «in english». Inicialmente, seduziam-me a acção e o romance. Mais tarde reli-os – para os debater com a minha filha, que gosta de ter com quem discutir o que lê – e encantaram-me de novo pelo prisma que refere, da caracterização da época e dos tipos sociais das «middle and upper classes», não falando na sua imensa graça. Entretanto, saíram em DVD todos ou quase todos os romances da Jane Austen, seja em série, seja em filme, e tenho a colecção completa. A minha filha força-nos a revê-los regularmente (creio que em relação ao Pride and Prejudice já teremos ultrapassado a vintena de revisões). :-D


De Luísa a 25 de Março de 2009 às 01:29
É difícil escolher entre as suas propostas para a próxima semana, Marie, todas, por uma razão ou por outra, igualmente interessantes. Resta-nos a satisfação de saber que, uma a uma, cá as teremos todas.
Mas porque não é possível antecipar as consequências de contrariar um «comentador embriagado»… venha o Eça, Marie, venha o Eça! ;-D

De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 02:27
Fico tão feliz em saber que sua filha gosta de Jane Austen, Luísa, querida. Não sei a idade dela, mas é raro hoje em dia crianças e adolescentes se interessarem por literatura, não é mesmo? Bem, pelo menos aqui no Brasil. Meu moleque tem 13 anos e foge um pouco deste esteriótipo. Ele gosta de ler. Quer até ser jornalista. Vamos ver, vamos ver.

Vamos satisfazer o ébrio rapaz, Luísa. Ficaremos com Eça na próxima semana. Veremos o título que nosso querido Mike vai escolher. :)

Beijos!
De mike a 25 de Março de 2009 às 13:48
Safa, que alfinetada, Luísa... (muitos risos)
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 23:46
:))))))

Beijos
De patti a 25 de Março de 2009 às 19:42
Já lhe dito na semana passada que sou fã da Jane Austen. Li quase tudo e releio-a muitas vezes. Aprecio a sua ironia e o olhar atentíssimo.

Deixo-lhe um blog sobre ela, que talvez lhe possa interessar: http://janeaustensworld.wordpress.com/

Para a semana o Eça, mas gostava muito de ler a sua versão de "O Vermelho e o Negro".

Beijinhos.
De marie tourvel a 25 de Março de 2009 às 23:48
Patti, querida, vamos fazer assim, então, na próxima semana falo sobre Eça e na outra fica combinado Stendhal, está bem? :)

Obrigada pelo linque. Vou já pra lá.

Beijos
De JuliaML a 26 de Março de 2009 às 22:13

Mais uma que espera pelo Eça, Marie, mal posso esperar ;-)
De marie tourvel a 27 de Março de 2009 às 12:16
Pode esperar, Júlia, querida. Na semana que vem o Eça vai se revirar no túmulo. :)))

Beijos
De Raquel a 27 de Março de 2009 às 11:48
Marie,

primeiro, obrigada pela referência. E se me permite, outro motivo pelo qual os milionários deveriam ler Sense and Sensibility seria para aulas de como se livrar de irmãs pobres e dependentes! E ainda posar de sensível!

beijocas
De marie tourvel a 27 de Março de 2009 às 12:18
Bela dica, Raquel, querida. Ela se livra e ainda paga de gatinha. :)))

Você merece todas as referências do mundo, amiga. ;)

Beijocas
De MC a 29 de Abril de 2009 às 16:32
Stendhal, se quiser sonhar, tentar entender a essência das coisas. Eça, se quiser ler o melhor português em prosa que jamais alguém escreveu. Mas a substância em Eça? Personagens de galeria ou de papel (Carlos da Maia ou Jacinto). Mas também não se pode ter tudo, não é?

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