Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Observatório

Pedro Teixeira Botelho

 

 

Felicidade… bruta! 

 

Achei ‘poético’ o conceito de ‘felicidade interna bruta’ trazido a público em mais um debate televisivo sobre a crise. A definição, que pretendia colar como nome de família ao insuficiente ‘produto interno bruto’, ficou por explicar e não mais afirmou que o óbvio: qualquer ser humano produz mais e melhor se for feliz, dando largas à sua criatividade e arregaçando mangas ao trabalho com um sorriso nos lábios, ultrapassando assim, cantando e rindo, feliz, a crise.

 

Obrigado pela dica. Faltou só explicar como se consegue o grau de felicidade necessário, às vezes contra ventos e marés, para obter este nirvana e, assim, pairarmos sobre o que seja que nos está a atingir sem sofrermos as suas inevitáveis consequências. Que são reais e quotidianas.

 

Que o diga o dono do restaurante meu vizinho, que, sempre que nos cruzamos, independentemente do sorriso que nunca me nega, não está nada feliz com a casa às moscas, os clientes a rarear e os empregados e fornecedores a teimarem em receber ao fim do mês.

 

Que o diga o dono do talho da esquina, acompanhado dos mesmos frangos, cabritos e outras bestas, única companhia diária com quem divide as agruras de um negócio que está difícil, pois os clientes limitam-se a dar-lhe os bons dias de longe.

 

Que o diga eu, que me vi obrigado a baixar o preço do serviço prestado pela minha empresa, forçado por clientes que iriam procurar mais barato ao mercado, se não cedesse. Mesmo sabendo que os custos de produção levaram um rombo durante o último ano, estiveram-se nas tintas e aconselharam-me a cortar nas despesas.

 

Pois, senhor professor universitário. Eu bem tento ser feliz e deixar todas as minhas capacidades criativas fluírem ao serviço do meu trabalho, mas esta sua teoria esbarra sempre num sacana de um obstáculo qualquer que me ultrapassa e que… me tira o sorriso da cara!

 

Será da crise?

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 15:30
link do post
6 comentários:
De mike a 12 de Março de 2009 às 22:37
Já não bastava o PIB, agora também temos que levar com o FIB?
De psb a 12 de Março de 2009 às 22:44
Mike
Já viu estes FDP?
Um abraço
De Luísa a 13 de Março de 2009 às 02:17
É verdade, Pedro! Também já tinha ouvido falar nesse novo conceito de «felicidade». Todas as profissões têm os seus «poetas», e os «poetas» da gestão andam, pelos vistos, muito activos na concepção de novas formas de estímulo ao trabalho. Só não parece que expliquem como se faz. Há uns anos, defendiam que se pendurassem quadros nas fábricas, se pusesse música ambiente e se pagassem bons salários. Agora, neste cenário de crise, estão talvez a pensar numa felicidade mais interior, mais meditativa, numa linha de beatitude budista e de total renúncia a bens materiais. ;-D
De Ana Vidal a 13 de Março de 2009 às 12:59
Deve ser isso mesmo, Luísa: um país inteiro em versão Zen Sócrates! :-)
De mike a 13 de Março de 2009 às 17:55
Zéncrates.
De Ana Vidal a 13 de Março de 2009 às 18:11
Isso tem som de mecanismo avariado, Mike.

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds