Terça-feira, 10 de Março de 2009

Pocket Classic (Madame Bovary)

 

Marie Tourvel

 

Ei, bilionário, querido, calma! O que prometo, cumpro. Resumirei uma obra do Flaubert. Gustave Flaubert. (Abra o linque sem medo. Você vai aprender um pouco mais). Eu escolheria Bouvard e Pecouchet, mas acho que este título deixarei mais pra frente, pois talvez vocês não estejam preparados. Antes que você fale alguma besteira do tipo: “.mas essa Marie é muito pedante mesmo. Ela não sabe que estou preparado para qualquer coisa?”, eu já vou avisando que não é pedantismo, não. É só porque acho que Madame Bovary é um livro mais prazeroso de comentar nas famosas rodinhas. Flaubert foi homem de poucos livros. Não escreveu um amontoado de obras. Mas as que escreveu, companheiro bilionário, ficaram para a posteridade. O francês era do balacobaco. Vamos ao resumo:

 

História de Emma, que se casa com o viúvo Charles Bovary. Ela foi criada no campo e, ambiciosa, sonha com vida de luxo. Casa-se com Charles, um médico, achando que o cara tem grana como você, bilionário. Tudo ilusão. O cara é um fracassado e mosca morta. Emma não suporta sua vidinha modorrenta e começa a caçar assunto. Dá para Leon, um jovem estudante e este vai-se embora. Dá para Rodolphe e este a abandona. Fica triste paca porque seu negócio é rosetar. Leon volta de Paris e os dois vivem um caso amoroso delicioso. Só que a Emma pensa que é milionária e vai gastando dinheiro. Gasta o que tem e o que não tem. Fica sem grana, cheia de dívidas, ninguém a ajuda e ela se suicida. O Charles? Um pobre corno manso. Morre de um ataque do coração fulminante logo depois de Emma.

 

Uma desgraça? Um horror? Está chorando? Está se identificando? Com Charles? Ora, a Sheyla Shirley, sua esposa, não faria isso com você. Ou faria? Mas nem se preocupe, mesmo que ela fizer, você não é fracassado feito o Charles. Pode ser que ela detone com um terço de seu patrimônio, mas ainda sobrará muito para queimar.

 

O mais importante são as rodinhas dos nossos überamiguinhos intelequituais. Diga que Gustave Flaubert levou 5 anos para escrever este livro porque sempre se preocupou com a excelência. Embora eu saiba que você deve ter considerado a Emma uma mulher de quinta categoria, nunca diga isso. Cale-se, por favor. Diga que a narração de Flaubert consegue ser isenta e nos deixa a vontade para julgar Emma ou não. E não deixe transparecer que você é passional. Em nenhum momento demonstre simpatia por Charles, por favor. Mostre-se inclinado a compreender os motivos de Emma para que nossos amiguinhos não soltem as asas para a sua Sheyla Shirley. Sabe como é? Quando é proibido é melhor. E existem uns intelequituais que são muito charmosos e sua mulher pode cair em tentação. Deus me livre. Diga que nunca leu descrições tão bem feitas como as de Flaubert –o que é uma verdade incontestável. Diga que este romance é uma dura crítica à burguesia francesa da época.

Um comentário meu: nos tempos de hoje Emma tiraria carne de seu bumbum para fazer os lábios iguais aos da Angelina Jolie só pra impressionar seus amantes. Assim como teria também seu personal trainer e personal care para ficar mais gostosona. Como assim? A Sheila já fez estas intervenções cirúrgicas? E tem os personals? Tudo bem. Foi só pra ficar mais sensual pra você.

E com uma frase de efeito do tipo “Flaubert sempre foi influenciado pelas teorias científicas. Admiro isso nele”, despeça-se de mais esta rodinha.

 

Ah, bilionário, quando sair da festa, deixe que Sheila Shyrley saia na sua frente. Dê uma olhada em seu (dela) derrière e vê se não aumentou muito de tamanho. Estão fazendo cada coisa nas clínicas de cirurgia plástica daqui do Brasil que nem todos os mililitros dos seios de Pamela Anderson acreditam.

 

E assim apresentei a vocês mais um clássico de fácil aceitação no meio intelequitual –aliás, Flaubert é um dos meus preferidos. Na semana que vem tem mais. 

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 12:30
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20 comentários:
De Grande Jóia a 10 de Março de 2009 às 13:26
Marie, o que é que podemos acrescentar, para além de a felicitar mais uma vez pela sua escolha.
De marie tourvel a 10 de Março de 2009 às 23:27
Sua presença por aqui me deixa muito contente. Você realmente é uma grande jóia. ;)

Beijinhos
De Luísa a 10 de Março de 2009 às 14:28
Marie, gostei imenso. Flaubert é, também, um dos meus preferidos, em grande medida, pelo que se sabe da sua personalidade e do seu perfeccionismo. E foi grande inspirador do nosso Eça de Queiroz. Sobre a Madame Bovary, foi feita uma série inglesa e já mal consigo distinguir o livro das imagens da série (embora esta, tanto quanto me lembro, fosse bastante fiel, como o são, em geral, os trabalhos ingleses). Lá estava também a célebre cena da interminável volta de «fiacre» por Rouen, que dizem reproduzir uma cena do romance de Flaubert com a sua musa inspiradora Louise Colet.
Desta vez, Marie, deixa-nos no escuro, a especular sobre quem será o próximo clássico… :-)
De marie tourvel a 10 de Março de 2009 às 23:31
Luísa, querida, fico muito feliz que tenha gostado. Realmente, Flaubert inspirou o nosso Eça -que amo da mesma forma. Aliás, estou preparando um Eça para um dos próximos Pocket. Acho que ficará bacana. Não assisti à série inglesa, mas vou procurar por aqui.
Para a próxima semana ainda estou pensando. talvez Balzac como me pediu a Teresa. Talvez Stendhal. Vamos ver, vamos ver. :)

Beijos e obrigada
De CNS a 10 de Março de 2009 às 14:42
A leitura destes Pocket Classic está-se a tornar fundamental!

beijos
para a Marie e para a Ana
De marie tourvel a 10 de Março de 2009 às 23:32
Fundamental é tê-la por aqui, querida. Você é um amor. :)

Beijos pra você!
De mike a 10 de Março de 2009 às 15:06
Esperei ansiosamente por este clássico de bolso. Enchi a cara de uisque e, apesar da ressaca "miserável", li e gostei de ler, principalmente pelas palavras utilizadas e que há muito não ouvia. Agora que Emma já não é viva, posso falar: ela teve um caso comigo antes de Leon voltar de Paris. Sim ela deu para mim. (risos)
Uma cachorra, essa Emma. (mais risos)
De marie tourvel a 10 de Março de 2009 às 23:35
Quer dizer que encheu a cara, Mike, querido? O uísque era do bom, né? :))))
Agora entendo o motivo que levou a cachorra da Emma suicidar-se. Você a abandonou. Ela estava perdidamente apaixonada. Gostou do tango em homenagem a ela que coloquei em minhas "letras"? Dá uma olhadinha. ;)

Bisous
De patti a 10 de Março de 2009 às 16:03
Adorei!

O ego de Flaubert e a preocupação com a excelência naquilo que escrevia eram tão imensos, que afirmava ser-lhe muito custoso de aceitar, que um dia a personagem (Bovary) fosse capaz de sobreviver a ele, o seu próprio autor.
De marie tourvel a 10 de Março de 2009 às 23:36
É mesmo, Patti, querida. Flaubert era um perfeccionista. Eu sou fã número 1 dele.
Estou muito feliz com sua presença por aqui. :)

Beijos!
De Ana Vidal a 10 de Março de 2009 às 17:23
Já não passo sem os teus PC's, Marie.
Não ficarei milionária com eles (é pena...), mas vou brilhar imenso nas rodinhas dos intelequituais cá da praça!! :-)
Beijos
De marie tourvel a 10 de Março de 2009 às 23:39
Ana, querida, basta nos divertirmos. Ficar ou não milionária não importa. O que importa é fazer bonito nas rodinhas de nossos überamiguinhos. ;)

Obrigada por tudo, amiga.

Beijos!
De JuliaML a 11 de Março de 2009 às 00:48

a nossa Marie é incomparável :-)


agarra no espirito da coisa e faz a festa. Eu até com sono sorri aqui :-)

De marie tourvel a 11 de Março de 2009 às 00:53
Júlia, minha amiga querida, o bom mesmo é vê-la sorrir. :)

Muito obrigada por sua amizade e carinho.

Beijos e bom soninho.
De léo mariano a 11 de Março de 2009 às 02:50
oi Marie.

Como não sou milionário, posso dixer sem dó:

Uma bela bisca de gastoso.

Só perde mesmo pra bela bisca do compadre Eça. Essa, coitada, uma tonta com o primo canalha e um marido pateta.

abs

PS: Arrebentou no biquinho frances. Que tal agora um crassicão de hominho: Os 3 Mosqueteiros? :D
De marie tourvel a 11 de Março de 2009 às 03:50
HAHAHAHAHAHA

Leo, Leo, como eu disse lá nas minhas "Letras", deixa a mulher rosetar. :)))
O marido de ambas eram patetas, concorda? ;)

Já pensei em fazer um Pocket Classic dos mosqueteiros. Vamos ver quando sai.
De hominho é bom, né? :)))))

Obrigada pelo carinho, querido.

E meu melhor biquinho francês procê: Bisous!
De Léo e só a 11 de Março de 2009 às 02:52
oi Marie.

Como não sou milionário, posso dixer sem dó:

Uma bela bisca de gastoso.

Só perde mesmo pra bela bisca do compadre Eça. Essa, coitada, uma tonta com o primo canalha e um marido pateta.

abs

PS: Arrebentou no biquinho frances. Que tal agora um crassicão de hominho: Os 3 Mosqueteiros?
De marie tourvel a 11 de Março de 2009 às 10:38
Ó, Leo, já que você duplicou seu comentário, corrigirei minha primeira resposta. Tô parecendo petista escrevendo. Não usei o plural. Que vergonha! No lugar de "o marido de ambas eram...", leia: "os maridos de ambas eram patetas". :P
Desculpa aêe!

Beijos!
De Ana Vidal a 12 de Março de 2009 às 00:58
Volte sempre, Leo! :-)

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