Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Observatório

Pedro Silveira Botelho

 

 

O que realmente interessa

 

Podia comentar o próximo julgamento de Isaltino Morais (mas, afinal, o dinheiro não era do sobrinho, taxista?) por suspeita de corrupção, abuso de poder, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

 

Podia comentar a vontade de Ângelo Correia correr com a Manuela, pois, se dependesse dele, era já amanhã.

 

Podia comentar a desistência de Lech Walesa visitar a Venezuela, por causa do ‘grande democrata’ Chavéz, acabadinho de conseguir a proeza de se candidatar vitaliciamente ao poder no seu País.

 

Porém, prefiro partilhar a carta que recebi do meu Afilhado Hélder, de São Tomé, a primeira desde que me tornei seu Padrinho à Distância, seis meses depois de ter assumido este papel e de lhe ter escrito a apresentar-lhe esta nova Família que passaria a ter um interesse especial por ele. A carta, escrita pela irmã mais velha, reza assim:

 

“Senhor Pedro

Antes de mais nada te desejamos uma boa saúde e felicidade, são os nossos cumprimentos para si e para os seus familiares. E que esta cartinha te encontre bem de saúde.

Senhor Pedro foi com muita alegria que recebemos a notícia que o senhor ficou muito feliz por ser padrinho do Hélder. Ficamos também felizes pela escolha. A família do Hélder é uma família pequena como podes ver.

Vou passar a apresentá-los: a mais velha é a nossa mãe e ela chama-se Joana e ela tem 34 anos; ao lado dela é a minha irmã mais nova que se chama Edneisa e ela tem 13 anos e estuda na 5ª classe e a seguir sou eu e chamo-me Waldimira e tenho 16 anos e estudo na 8ª classe e eu tenho uma irmã gémea e ela não saiu no postal por problema de doenças. E depois vem o Kelve e ele tem 8 anos e ele é estudante da 3ª classe e por último vem o Hélder que só tem 2 aninhos. Como se vê é pouca gente.

E agora eu vou vos dizer o que o Hélder gosta. Ele gosta de brincar, chorar, comer de tudo por enquanto. Ele é tão divertido, bonito e lindo e giro. Ficamos muito felizes quando lemos a carta. Nós te agradecemos muito.

Bom! Vamos acabar agora enviando-vos um grande beijinho e um abraço muito apertado.

Esperamos que escrevam sempre quando quiserem.

Do Afilhado Hélder”.

 

Feliz fiquei eu em saber que, apesar das dificuldades que não serão poucas, o Hélder tem uma Família que o adora e o acarinha. Feliz fico também por poder ajudá-lo na medida do que puder, se tal contribuir para lhe abrir um horizonte de esperança num futuro mais risonho.

 

Longe dos isaltinos e dos hugos deste mundo que tantas vezes desacreditam a raça humana.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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4 comentários:
De Ana Vidal a 5 de Março de 2009 às 10:37
Boa, Pedro. A carta é uma ternura, e lembra-me que tenho de escrever para o meu Rik.
Beijo
De Luísa a 5 de Março de 2009 às 16:46
Nesta família «pequena», de «pouca gente», como escreve a Waldimira, o Hélder parece ser uma criança feliz, que gosta de brincar, de comer de tudo «por enquanto» e até de chorar. :-)
Faço votos para que o seja sempre, que o futuro lhe sorria de sorriso rasgado, e que o Pedro possa continuar a receber cartinhas amáveis e optimistas como esta.
De mike a 5 de Março de 2009 às 22:01
Feliz a família do Helder, Pedro. Ou será feliz o Pedro pela família do Helder que o (nos) ajuda a mantermo-nos longe dos isaltinos e hugos deste mundo? Gostei muito deste post.
De Manecas a 5 de Março de 2009 às 23:19
Parabéns ao padrinho, não só pelo afilhado...também pelo padrinho!

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