Terça-feira, 3 de Março de 2009

Pocket Classic (Os Miseráveis)

Marie Tourvel

 

 

Antes de qualquer coisa, clique no nome do autor deste crassicão: Victor Hugo.

Meu bilionário, não se choque com o título de meu Pocket de hoje. Sei que muitos de vocês vieram de baixo, não tinham grana pra nada e se deram bem -não importa de que forma. Não olhe com essa cara de nojo, vai. Pense em seus subordinados. Pensou? Então, agora esqueça. Você é um bom patrão e dane-se todo mundo. Lembrou de algum país da América Latrina? Isso! está no caminho certo. Mas não no sentido de miseráveis sem grana. Mas no sentido de velhacaria mesmo. Vamos ao resumo:

 

Jean Valjean é preso por roubar um pedaço de pão. Por tentar fugir diversas vezes -presidiário é tudo igual mesmo, pegou 19 anos de gancho. Sai da cadeia com a condição de se apresentar uma vez por mês por lá, uma coisa assim. É ajudado por um bispo. Sacaneia o bispo roubando-lhe as pratarias. É preso de novo. O bispo o salva dizendo que ele deu a prataria toda a ele como presentinho e ainda diz que esqueceu de dar os candelabros. Quanta bondade. Aí o Jean tem que se emendar, né? Aí começa a ver que o mundo é bom e que a felicidade até existe. Ele espera redimir-se por meio da filha Cosette, que é adotada -filha de uma prostituta. Em meio a digressões de Hugo, tinha uma pedra no caminho. No caminho tinha uma pedra: Javert, policial estranho porque cumpre a lei à risca. Estranho isso, não é? Fica só na caça do nosso herói. Resumindo: O Jean se redime de seus pecados e o Javert se mata. E alguém aí vai dizer que resumir crássicos não é de bom tom?

 

(Em primeiro lugar, pelamordedeus, pronuncie Hugô. Sabe fazer isso, não é?)  

Por que este título para o livro? Nem dê bola. Hugo faz digressões até com estrume neste livrão pesado. Olha só, tentarei explicar. Sabe aquele seu amigo que tem tanto ou até mais dinheiro que você, e por mais que ele se cubra de luxos, jamais terá classe? Calma, não estou falando de você, querido. Pois é, aquele seu amigo é um miserável. Entendeu? Não? Ah! deixa pra lá. Mesmo que você tenha visto o musical -sim foi feito um musical deste livro, obviamente, não cite isso. Diga nas rodinhas sabidas que leu o original -não, não diga que leu em francês. Nós, e somente nós, sabemos que você não faz biquinho nem quando está bravo, não é? Pensa que todos da rodinha leram as mais de 1300 páginas do livro? Não mesmo. Muitos de lá só leram as inúmeras versões abreviadas que sairam do livro, que fique bem claro. 


Diga uma frase que muitos intelequituais de esquerda (eu sei que isso não existe, bilionário. É que eles autointitulam-se. Coisa de gente louca mesmo), amam: "Miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes". É de uma música de um grupo de roque (Titãs) do Bananão, do Brasil-il-il, grande pátria desimportante, onde proteger ditaduras de esquerda é absolutamente normal. O Bananão é excêntrico e exótico por natureza. Mas que beleza!     

                                                                                          

Nunca confie que os intelequituais, porque estão impressionados com sua desenvoltura para falar dos crássicos da literatura, já viraram seus amigos de infância. Nunca caia nesta asneira. Eles são gente como a gente. Têm inveja. A mesma inveja que você sente daquele seu "amigão" bilionário que mesmo nesta crise xarope comprou aquela Lamborghini pra dar um rolé pelo bairro. Então, eles vão dissecá-lo sempre com perguntas marotas. Nunca baixe a guarda. Você pode se trair ao falar sobre o aspecto social do livro, então procure falar do período histórico sem medo. Diga que se trata de uma obra que narra a situação política e social francesa no período da Insurreição Democrática através da história do tal do Valjean. Diga que Victor Hugo dissecou a condição humana em todas as suas qualidades e defeitos. E olha que bunitu: este romance refere a forma como cada indivíduo desempenha um papel no contexto -palavra amada por esquerdistas, da época histórica. Depois dessa dê uma profunda respirada.

Beba um gole de seu uísque e vá procurar uma rodinha em que estejam falando de Flaubert. Quem sabe na próxima semana eu resolva agraciá-los com esse francês da pesada.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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14 comentários:
De Luísa a 3 de Março de 2009 às 15:14
Querida Marie, mais uma fantástica abordagem. Nas nossas rodinhas intelectuais, Os Miseráveis são, presentemente, abordados com alguma parcimónia: a regeneração de bandidos não está na moda, mas sim a degeneração de pessoas honestas. Em todo o caso, há sempre referências utilíssimas, como Javert, o representante de um dos piores inimigos desta nossa sociedade de degeneradas pessoas honestas que é a polícia, cujo rasgo final – e respectiva moral da história - nunca é demais invocar. Gostei muito e fico aguardando ansiosamente o Flaubert. ;-)
De marie tourvel a 3 de Março de 2009 às 19:42
Luísa, querida, que bom que gostou. Realmente está bem mais fácil o honesto degenerar-se.
Muito obrigada por seu comentário. ;)

Acho que vou de Flaubert na próxima semana mesmo... :)

Beijos!
De João Paulo Cardoso a 3 de Março de 2009 às 15:31
Impressionante essa sua facilidade de meter clássicos no bolso.

Está inventando a crítica literária portátil, sabia?

Beijos.
De marie tourvel a 3 de Março de 2009 às 19:47
Seria um "Pocket Abstract", JP, querido? :)))))
Tão bom ler seu comentário por aqui. ;)

Beijos!
De Raquel a 3 de Março de 2009 às 22:35
Com licença? a porta estava aberta, acho que foi o vento...
Querida Marie concordo totalmente com suas instruções.
Mas eventualmente encontramos um mais renitente que poderá colocar o nosso pobre bilionário contra a parede, sugiro então que ele cite o nosso filósofo maior, JT " Quem gosta de miséria é "intelequitual", povo gosta mesmo é de luxo."
De marie tourvel a 3 de Março de 2009 às 23:06
Claro, Raquel, minha querida amiga. Como esquecer do nosso "Petit Trente"?
Deixa eu explicar quem é Joaosinho Trinta para nossos amigos portugueses. Ele é carnavalesco. Como assim? Não sabiam que isso é uma profissão no Bananão? Pois é. E se ganha dinheiro com isso. :)))))
Obrigada pelo carinho, amiga. ;)

Beijocas
De marie tourvel a 3 de Março de 2009 às 23:14
Só esqueci de uma coisa: amigos portugueses, visitem o blogue da minha amiga Raquel, "Jane Austen Em Português". É simplesmente maravilhoso. além de lindo é inteligente. :)))

Beijos a todos
De Ana Vidal a 3 de Março de 2009 às 22:44
Marie, os teus PCs estão cada vez melhores!
Um dia ainda reunimos num livro todos eles, e verás o sucesso! Será uma ferramenta muito útil, tanto para milionários como para candidatos ao estatuto... :-)
beijo, minina
De marie tourvel a 3 de Março de 2009 às 23:11
Ana, querida, obrigada pelo carinho de sempre. Acho que seria bacana virar livro. O nosso milionário teria sempre à mão. A gente faria em forma de "pocket" e nosso amigo milionário ou candidato levaria sempre em seu bolso. Qualquer dúvida, corria ao toilettes para refrescar a memória. :))))))

Beijos!
De mike a 4 de Março de 2009 às 00:51
Marie, você mete clássicos no bolso com uma facilidade e talento inacreditáveis. Já enchi a cara de uísque. Cadê Flaubert? (risos)
Só para a semana? Nooooossa... a minha ressaca vai ser "miserável". (mais risos)
De marie tourvel a 4 de Março de 2009 às 02:04
Mike, queridíssimo, e você sempre generoso, não é?
Vamos ver o que sai do Flaubert... Tentarei curar essa ressaca toda. :))))))

Beijos!
De marie tourvel a 8 de Março de 2009 às 19:28
Olha só, pessoal, a Janaína Leite dona do blogue Arrastão do A Postos, um condomínio de blogues maravilhoso aqui do Brasil veio aqui me dar esta força. Ela é uma das melhores jornalistas daqui. Escreve maravilhosamente bem. E é daquelas amigas que é melhor que irmã.
Obrigada, querida, pelos elogios. E eu vou roubando a prataria dos intelequituais, sim. Eu me divirto com isso. :)))))

Beijocas!
De Janaína a 8 de Março de 2009 às 18:09
Marie, estou rindo aqui. Menina, você sempre se supera _ e nem precisa roubar a prataria alheia. Beijo grande.
De Ana Vidal a 8 de Março de 2009 às 19:29
Gosto muito de ter vc por aqui, Janaína. Volte sempre. Os amigos de Marie (e de Milord Caco, claro) meus amigos são!
Um beijo

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