Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Observatório

Pedro Silveira Botelho

 

 

Real(idade)

 

A notícia não podia ter sido recebida com maior surpresa. Surpresa que me deixou em estado de choque. Fiquei sem fala, acho que cheguei a sentir uma opressão no peito (ou seriam só nervos, porque detesto pensar que sou candidato a um ataque de coração e detesto hipocondrices), sei que fiquei lívido e a sentir a terra a fugir-me debaixo dos pés. Aquela sensação de quase desmaio, com suores frios e a visão aos quadradinhos.

 

Mas o caso também não foi para menos. Teve que ser a minha Mulher a dar-me a notícia, com preparação prévia bem pensada, copinho de água discretamente posto a postos, a apanhar-me no descanso natural do fim de um dia de trabalho.

 

Começou com uma conversa mole, cheia de rodeios. Que bom que era termos uma Família tão grande (já somos 12 à mesa quando nos juntamos todos, já com os namoros mais recentes incluídos), as miúdas pequenas vão achar imensa graça, ainda bem que nos mudámos para uma casa maior... e eu a ver onde é que aquilo ia parar... patati,  patata... e... prepara-te que vais ser outra vez Avô!

 

Ufa! Com aquela conversa toda, ainda me passou pela cabeça que ia ser Pai mais uma vez, coisa para a qual não estava mesmo nada preparado (fraldas, biberons, noites mal dormidas, repetir tudo aquilo?) mas, Avô? Qual era o problema, até achava graça, ainda ‘tão novinho’ (...) e já com três netos, até era giro.

 

A resposta à inevitável pergunta seguinte, de quem, é que deu cabo de mim. O feliz progenitor era o Francisco, o nosso Filho mais novo. Mais novo, quer dizer, mesmo, mesmo novo. O puto só tem 13 anos...

 

Fiquei doido. Mas como é que é possível? 13 anos e já... já... gaguejei eu. Mas com quem? Quem é a Mãe? Onde? Como?

 

As perguntas saíam-me da boca em catadupa e as respostas demoraram a fazer-me perceber o que se estava a passar. Então não é que o miúdo engravidou uma amiga dele, mais velha, mas que só tem 15 anos? E agora? Mas vão ter o bebé? E onde vão viver? Mas o gajo só está ainda no 8º ano?

 

De repente, acordei com uma cotovelada da minha Mulher, que me fez saltar da cama num pulo, encharcado em suor. Estava a falar a dormir, com um ar de pânico e a agitar a cabeça. Achou que eu devia estar com um pesadelo.

 

Não lhe contei que a notícia do ‘prodígio’ inglês que deverá bater um qualquer recorde do Guiness por ser o pai mais novinho, me tinha tirado o sono nessa noite.

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publicado por Ana Vidal às 09:30
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15 comentários:
De Manecas a 26 de Fevereiro de 2009 às 11:44
Calma Pedro, acho que se levantam afinal sérias dúvidas quanto à paternidade da criança...

Não estou a fazer de Bialzepan (se é assim que se escreve, que eu de remédios só conheço mesmo a Aspirina...), embora lhe deseje uma melhor noite.

Estou somente a fazer eco dos últimos desenvolvimentos noticiosos!

1 AB
De psb a 26 de Fevereiro de 2009 às 15:21
Caro Manecas
A origem da paternidade, que sei ter mais meia dúzia de potenciais candidatos, é um problema de 2º plano. Também me 'incomoda' a perspectiva de um 'chavalito' de 13 já andar nestas cavalarias...
Um abraço
De João Paulo Cardoso a 26 de Fevereiro de 2009 às 11:53
Caro Pedro, por alguma razão existe o ditado "de pequenino é que se torce o pepino"...

Por falar nisso, para apimentar as quintas-feiras, há "Sex Files" no "Eldorado".
Epa, e não é que hoje é quinta-feira?

Beijos para a Ana e as outras meninas e abraços para os rapazes, progenitores ou não.
De psb a 26 de Fevereiro de 2009 às 15:23
Caro JP
Outro para si. Já lá vou espreitar o título tão sugestivo.
De sofia k. a 26 de Fevereiro de 2009 às 12:21
LOL

Eu já estava a imaginar...

beijinhos
De psb a 26 de Fevereiro de 2009 às 15:26
Querida Sofia
Pois... só mesmo na imaginação, porque eu até durmo bem e acho que os meus 'meninos' não me vão dar este tipo de problemas tão cedo. Pelo menos, ensinei-lhes a tomarem as devidas previdências.
Um beijinho para as 2 e um abraço ao Pedro.
De mike a 27 de Fevereiro de 2009 às 00:33
Pai uma vez mais... só de o ler, até senti calafrios, Pedro. A ver se esta noite durmo sem pesadelos.
De psb a 27 de Fevereiro de 2009 às 10:30
Mike
pois... só de pensar, não é?
Um abraço
De Luísa a 27 de Fevereiro de 2009 às 00:53
Pedro, fez-me pensar no meu primeiro ginecologista, que era de opinião de que as mulheres e os homens deviam ter filhos o mais cedo possível, porque seria nas tenras idades dos catorze, quinze e dezasseis anos que os respectivos corpinhos estariam melhor preparados para reproduzir. E foram tantos os seus avisos e suaves «repreensões» que, aos vinte anos, ainda sem crianças nem perspectivas delas, eu já era um poço de complexos. :-D
Mas tem razão que os tempos não estão para este tipo de considerações puramente biológicas. Hoje a maternidade e a paternidade valem – na nossa civilização ocidental – pela projecção afectiva, pelo desafio educativo e por outras considerações de custo-oportunidade, eminentemente intelectuais. Recomendam-se, portanto, mais tardias. E estou certa de que a extinção da espécie, inevitável no longuíssimo prazo, não ficará a dever-se a essa alteração de «premissas». ;-)
De psb a 27 de Fevereiro de 2009 às 10:33
Luísa
Será que o seu ginecologista teria tido filhos tão cedo? Ou que os teria tido mesmo?
De Luísa a 27 de Fevereiro de 2009 às 14:13
Agora que fala nisso, Pedro, tenho ideia (não é uma certeza...) de que não casou, nem teve filhos. Ele há coisas!... ;-)
De Ana Paula Motta a 27 de Fevereiro de 2009 às 12:48
Pedro, suei só de pensar no caso. Tenho um filhote, que se chama Pedro, está no oitavo ano e daqui pouco mais de dois meses completa 13 anos.
Seria mesmo um pesadelo, mas acho que meu filhote assim como o teu ainda não está nessa "etapa" da vida.
Um abraço
De psb a 27 de Fevereiro de 2009 às 19:42
Claro que não, Ana Paula. As crianças normais desta idade, criadas num ambiente normal, com padrões e valores educativos normais, evoluem para estas coisas de forma normal... (acho e espero).
Um abraço
De aida franco a 27 de Fevereiro de 2009 às 20:13
os miúdos começam cada vez mais cedo, infelizmente. mas ao menos que não tenham filhos.
De psb a 27 de Fevereiro de 2009 às 22:59
Obrigado pelo seu comentário. Concordo consigo. E penso que tudo reside numa educação bem acompanhada, ensinando-lhes, na altura própria, a tomarem as devidas previdências.

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