Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Ventos Amigos (28)

 
 
pôr do sol (micro-conto)
 
fechou a porta, decidida; desceu as escadas, de alto a baixo; na rua, o frescor meigo do fim de tarde lambia-lhe o rosto. soltaria os cabelos ao vento, não fora estar praticamente careca.
 
 
o aniversário (micro-fábula)
 
era uma vez um namorado que não se lembrou; saiu do trabalho e encontrou o amigo no bar que cortava a esquina. a namorada fazia anos. era uma vez um namorado que não se lembrou; saiu do trabalho, entrou no carro, driblou o trânsito, ajeitou o cabelo, subiu as escadas, bateu. mas ela não abriu. moral da história: cabeças de vento, portas na cara.
 
 
provérbio aziático
 
casa assaltada, portas ao vento.
 
 
diálogos de latão
 
- ... queres um conselho? aborta do bento.
- é do joão, rita!
- maldita gripe. o blogue da ana!

 

Textos enviados por: Azia

 


 

A Porta

Vai e abre a porta.

Talvez lá fora haja
uma árvore, ou um bosque,
um jardim,
ou uma cidade mágica.


Vai e abre a porta.
Talvez haja um cão a vasculhar.
Talvez vejas uma cara,
ou um olho,

ou a imagem

de uma imagem.

Vai e abre a porta.
Se houver nevoeiro
dissipar-se-á.


Vai e abre a porta.

Mesmo que nada mais haja

que o tiquetaque da escuridão,

mesmo que nada mais haja

que o vento surdo,

mesmo que
nada haja,
vai e abre a porta.

Pelo menos haverá uma corrente de ar.

 

Poema de Miroslav Holub, enviado por: Azia

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 21:30
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2 comentários:
De Ana Vidal a 28 de Fevereiro de 2009 às 23:50
Belíssima contribuição, Azia. Gostei muito.
Um beijo
De azia a 3 de Março de 2009 às 23:10
obrigado, ana. eu é que agradeço o convite.
beijo.

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