Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Ventos Amigos (20)


 

Fechei a Porta do tempo, não fosse por ela entrar a noite, e a escuridão não me deixasse mais ver os teus olhos, que sempre me habituei a ver a passear por dentro dos meus Ventos interiores.

 

É que só porque te olho, vejo espaços a abrirem-se, vejo tempos por que passei, e são meus, porque atrás de mim fui sempre fechando Portas onde iam ficando guardados os Ventos das minhas inquietações e dos meus desassossegos.

 

E tive medo, um medo absurdo, irracional, eu sei, de te perder, por não saber que Porta abrir no meu sonho, e de te ver partir a rodopiar nos Ventos da minha imaginação, para lugares onde não saberia procurar-te, no labirinto que eu próprio inventei, e que por mais Portas que abra, sei que acabo sempre por me perder no Dédalo de mim mesmo, e me deixar levar pelos Ventos das minhas ansiedades, como Ícaro quis fazer, e ir então à tua procura, oh! desventura, como se estivesses sempre para lá de uma Porta, que só se conseguiria abrir se um golpe de Vento lhe batesse, levemente, amorosamente, como o Vento desse teu sorriso, que me abre sempre as Portas do meu sentir-te.

 

E depois dizer, como disse Miguel Torga, "Grito agora o teu nome aos quatro ventos/juro-te enquanto posso, lealdade/por toda a vida e em todos os momentos." e assim te fazer a promessa, de que por mais que me aconteça, nunca te fecharei a Porta aos Ventos deste meu sonho, que te sonha. 

 

E não quero que confundas a beleza da Porta com a essência do Vento, pois a beleza apenas está esculpida na Porta que atravesso na desordenada busca da essência que esse Vento perfumado de ti, me poderá trazer.

 

Texto enviado por: José Manuel Arrobas

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 21:30
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1 comentário:
De Ana Vidal a 23 de Fevereiro de 2009 às 19:53
Obrigada, Zé Manel, por este belo e poético texto. Volta sempre.

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