Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Ventos Amigos (19)

 

O vento inquieta-me

 

Raramente reparava nas portas, limitava-me a empurra-las ou simplesmente a passar à sua ombreira.
Quando era pequeno, diziam-me que tinha rabo de macaco. Simplesmente perpassava as portas incauto, atrás duma qualquer brincadeira ou mesmo de nada. Até que alguém aborrecido vociferava contra a corrente d’ar.
Só muito mais tarde percebi o que significado de “corrente d’ar”. Só mais tarde me inquietou o vento. Agora fecho-lhe a porta: não tenho rabo de macaco.

 

Texto enviado por: João Távora

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 21:30
link do post
5 comentários:
De Luísa a 20 de Fevereiro de 2009 às 00:01
Também sempre me ralharam, em miúda, por deixar as portas abertas, João, por causa das correntes de ar (embora nunca me tenham dito que tinha rabo de macaco). Mas eu gosto das correntes de ar. Gosto de sentir o ar em movimento ; gosto de sentir que respiro. Continuo, portanto, ao cabo destes anos, a ter rabo de macaco (embora continuem a não mo dizer). ;-)
De João Távora a 20 de Fevereiro de 2009 às 09:53
Luisa: refiro-me a uma certa quadratura que o implacável tempo exerce nas pessoas. Isso não é obrigatoriamente mau se estivermos atentos e críticos ao fenómeno. De qualquer forma inquietam me as portas a bater e as folhas de papel a voar... :-)
De Luísa a 20 de Fevereiro de 2009 às 14:14
João, com o tempo vamos ficando iguais aos nossos pais, sem dúvida, com as «nuances» que decorrem da evolução de certos valores, mas iguais em tudo o resto. Sobretudo, com essa visão muito lata das potencialidades, mas mais ainda – lamentavelmente? – das ameaças do futuro. Também me inquietam particularmente as portas a bater e as folhas de papel a voar. Apenas – explicação muito prosaica – aprecio as correntes de ar porque respiro mal em ambientes fechados, com ar parado. Mas onde estou, as portas estão sempre escancaradas para que não possam bater e os papéis estão (re)calcados, para que não possam voar. ;-)
De Pedro Barbosa Pinto a 20 de Fevereiro de 2009 às 12:06
Engraçado...

Sempre que alguém deixa uma porta aberta, pelo menos no Porto, a pergunta que vem logo é: - "És de Braga?"

É a frase com que eu martirizo os meus filhos que parecem ter 'rabo de macaco', mas nunca tinha pensado de onde viria a expressão.

Graças a este se texto fui pesquisar e fiquei a saber que em Braga, numa das ruas mais famosas, existe o Arco da Porta Nova, do século XVI, que não tem porta e que terá dado origem à pergunta.
De Ana Vidal a 23 de Fevereiro de 2009 às 20:03
Eu também tenho rabo de macaco, João... nada a fazer. Obrigada pelo texto.
Um beijo

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

favoritos

O triunfo dos porcos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil


ver perfil

. 16 seguidores

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds