Sábado, 28 de Julho de 2007

Palavras, para quê?

AMÁLIA, A TUA VOZ

Vem das sombras do Tempo
Da memória da Terra
Essa força que encerra
Amália, a tua voz

Amália, a tua voz
Não tem nome ou idade
É toda liberdade
É mar, sopro de vento

Tem a cor das palavras
Murmuradas nos sonhos
É de mel e medronhos
Amália, a tua voz

Amália, a tua voz
Sabe a água das fontes
Cheira a urze dos montes
E a roseiras bravas

É rastilho veloz
Que ateia um fogo posto
É poente de Agosto
Amália, a tua voz

Amália, a tua voz
Chora todos os prantos
Rasga todos os mantos
Que nos escondem de nós

É colcha de Viana
Ricamente bordada
É renda delicada
Amália, a tua voz

Amália, a tua voz
É madeira entalhada
Cordão de oiro, arrecada
Da melhor filigrana

Caravela ou fragata
Onde embarcam desejos
É promessa de beijos
Amália, a tua voz

Amália, a tua voz
É sangue, é vinho novo
É a alma de um povo
Que a cantar se desata


Nota: Apesar do título que escolhi para este post, atrevi-me a juntar a esta pérola que tentei descaradamente roubar daqui (e que acabou por ser-me oferecida, com a maior simpatia) umas palavras minhas de homenagem a Amália, que escrevi quando ela morreu. Quando ela morreu, digo eu? Não, que ela está ainda bem viva e anda por aqui a tentar perceber esta coisa dos blogs (fazendo, tenho a certeza, os mais espirituosos comentários sobre esta alienação colectiva...). Aqui ficam essas palavras, então, a assinalar mais um ano sobre o seu nascimento. Que é mais ou menos por agora, ninguém sabe ao certo quando nem ela própria sabia, o que só acrescenta mistério e graça à sua imagem. Parece que foi, seguramente, no tempo das cerejas.
Recostem-se, aumentem o som e ouçam, com toda a calma e sem interrupções. Até o Gershwin deve estar a babar-se...




(in Porgy and Bess, de George Gershwin)
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publicado por Ana Vidal às 01:23
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4 comentários:
De Ana Vidal a 29 de Julho de 2007 às 08:27
vou mailar-te mesmo, até porque tive uma ideia gira para te propor e estes senhores não têm nada com isso. Desculpem, nada de pessoal, mas há que manter algum segredo entre manas... Ninguém se ofende, pois não?

ana
De Mad a 29 de Julho de 2007 às 03:24
AH NÃO!!!!! Vá, maila-me imediatamente (ando a dizer isto muitas vezes...)
De Ana Vidal a 28 de Julho de 2007 às 21:55
Talvez, mas esta é uma letra para ser cantada. Está a ser musicada por um craque, não posso dizer o nome ainda. Estou morta por ver o resultado.
De Mad a 28 de Julho de 2007 às 21:40
Não te conhecia este. Mais um livro de poesia na manga?

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