Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Observatório

Pedro Silveira Botelho

 

 

O nosso (pequeno) mundo

 

  

Eu bem que desconfiava.

 

Afinal, sempre somos um País de maus costumes em que os exemplos que nos vêm de cima não são nada abonatórios. O mais recente vindo a público, relatado por todos os canais de televisão para quem quis ouvir, acontecido em sede de comissão parlamentar perante vários representantes do povo (vulgo deputados) aconteceu na audição de um administrador desse sinistro banco que a todos vai penalizar, mesmo que não queiramos, quando, de forma despudorada, referiu alto e bom som que tudo tinha sido feito perante as autoridades de supervisão, tal qual verdadeiro striptease. Mostraram tudo, tudo, tudo... É caso para conjecturarmos no que terá acontecido depois, ou não, dada a natureza aparentemente adormecida daquela entidade. O sono do guerreiro deve ter atacado antes de conseguir fazer alguma coisa que se visse.

 

Esta promiscuidade, esta lascívia, será que alastra a toda a sociedade que detém o poder? Será que as decisões importantes que mexem com a vida de todos se passam em centros de decisão transformados em lupanares lúgubres, de ambiente pecaminoso, impregnado de fumo, álcool e práticas ditas pouco recomendáveis?            

 

No mundo dos negócios, é comum a mesa da refeição ser o palco habitualmente privilegiado. Será porque, depois de uns copos, a desinibição natural propicia a maior franqueza ou astúcia ou falta de escrúpulos. O green de golfe, mais elitista, costuma também ser utilizado para os preliminares de grandes negociatas. Porventura, juro que desconhecia e juro que não sou puritano, a prática desta performance também seja vulgar.

 

Ao menos, garante o emprego a uma franja de esforçadas trabalhadoras, com poucos riscos de cair no desemprego, o continuado flagelo que está atingir milhões de pessoas por todo o mundo, muitos milhares entre nós e sem fim à vista.

 

Destes pouco afortunados há pelo menos um, recente, que não se poderá queixar muito. Depois de meia dúzia de meses de trabalho, com um salário principesco, foi dispensado com 8 milhões de euros como compensação.

 

São estas discrepâncias aviltantes e imorais que tornam este mundo, tantas vezes, cenário de violências inusitadas e que nos deixam de boca aberta, sem perceber porque é que há tanta maldade.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 15:15
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10 comentários:
De Bruno S a 12 de Fevereiro de 2009 às 19:58
A política é um can-can, caro PSB. Ninguém já duvida disso infelizmente.
Abraço
De psb a 13 de Fevereiro de 2009 às 23:37
Bruno, tirou-me as palavras da boca, pois não é que imaginei a troupe ministerial vestida de follie berger a dançar o can-can?
Um abraço
Pedro
De Ana Vidal a 12 de Fevereiro de 2009 às 20:23
É a chamada "política no varão"... até teria a sua graça, se não fosse à nossa custa!
De psb a 13 de Fevereiro de 2009 às 23:39
Ana
Como deves saber, hoje já há 'professoras' a ensinar como se dança, melhor, como se usa, o varão. Será que aquela malta se increveu como actividade extra escolar?
Beijinhos
De fatima vaias a 12 de Fevereiro de 2009 às 21:05
isto é uma vergonha. só roubam, todos eles roubam e a gente que aguente. este país não vai a lado algum assim...
De psb a 13 de Fevereiro de 2009 às 23:42
Pois... mas no fim do ano lá vamos nós todos pôr o papelinho na caixa preta...
Mas acredite que, na minha opinião, são todos iguais e comem todos da mesma gamela... são mesmo só as moscas que mudam.
Obrigado pelo seu comentário.
Pedro
De mike a 12 de Fevereiro de 2009 às 23:14
Brandos e maus costumes, caro Pedro. Ao contrário deste post, que de brando não tem nada, mas de bom tem muito. Gostei de o ler. Um abraço.
De psb a 13 de Fevereiro de 2009 às 23:49
Caro Mike, obrigado. Isto é mesmo um País de m..da. Estão todos feitos uns com os outros, encobrem-se nos vários escândalos que, à vez, vamos conhecendo, concerteza porque lá se zanga uma comadre e dá com a língua nos dentes.
Parece que ainda vivem à sombra de que ao povo basta o futebol para estar entretido, deixando-os à vontade para as suas tropelias.
É um folclore, é o que isto é.
Um abraço.
De Luísa a 13 de Fevereiro de 2009 às 13:19
Pedro, o que mais revolta nisto tudo, não são tanto as desigualdades, uma realidade infelizmente inevitável enquanto as pessoas forem diferentes e tiverem diferentes talentos, alguns para fazerem muita coisa, outros nenhuma. O que revolta é que haja uns quantos sujeitos aparentemente bafejados pela fortuna, que se descobre, subitamente, que a fizeram por um hábil processo de ladroagem, mas que, porque eram – e são – ladrões «importantes» e têm cúmplices/amigos igualmente «importantes», saem impunes de todas as denúncias e provas de ilícito, como se nada fosse. Alguns não só escapam ao juízo da lei, como ao juízo moral, enveredando, rapidamente, por carreiras de produção literária e/ou de mecenato às artes. É inacreditável o que por aqui se passa! :-)
De psb a 13 de Fevereiro de 2009 às 23:56
Luísa, estou plenamente de acordo. Nem o Linhó, nem Caxias, nem Pinheiro da Cruz chegariam para os pôr todos lá dentro. O Tarrafal seria a melhor solução.
O que me desnorteia é não ver ninguém, num expectro abrangente pois não sou partidário, apesar de ter simpatias definidas, que ponha termo a esta miséria e que nos possa dar uma luz de esperança que moralize esta podridão.

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