Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Ventos Amigos (7)


 

Uma porta que se vai abrindo. O vento? Às vezes ajuda, outras vezes não.

 

Avaliar um ser humano nunca é, foi ou será, uma tarefa fácil, mesmo para os que nascem dotados de uma intuição e inteligência emocional fora do vulgar, ou acima da média. O valor de uma pessoa, ou a avaliação, mesmo sendo objectiva e pragmática, que fazemos desse valor e dessa pessoa, remete-nos para uma latitude que por vezes parece não ter fim. A experiência de vida ajuda e é valiosa mas nem sempre é determinante. Avaliar uma pessoa é como uma porta que se vai abrindo devagar, muito devagar, deixando que a fresta nos vá revelando o que existe do lado de lá. O valor de uma pessoa mede-se pela distância entre o que ela desejava ser e o que, na realidade, ela é. Por outras palavras, por aquilo que a fresta da porta que vagarosamente se vai abrindo, nos vai dando a conhecer. De uma forma ainda simples, pela distância entre o que essa pessoa diz ou alvitra e o que ela faz ou empreende. E nesse abrir lento da porta há, a espaços, ventos que a ajudam a abrir-se e outros que obrigam a recuos, ou exigem mais esforço e paciência ao atravessá-la. Avaliar um ser humano é isso mesmo. É como abrir uma porta tendo consciência que ela não se abre sozinha, apesar de às vezes estar entreaberta. Mesmo sabendo que há um vento, por vezes reconfortante, que vem em nosso auxílio e nos facilita essa árdua tarefa, outras vezes abrupto e inesperado, que nos faz redobrar a atenção e os sentidos.    

 

 

Texto e imagem enviados por: Mike 

 

 

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publicado por Ana Vidal às 22:00
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13 comentários:
De Pedro Barbosa Pinto a 7 de Fevereiro de 2009 às 22:59
Sabendo que as idiossincrasias são impenetráveis, melhor que tentar avaliar alguém é procurar ter a capacidade de aceitar cada pessoa como ela se nos apresenta.
Tantas são as vezes que o não consigo fazer, que o defeito só pode estar em mim. Que melhor aproveitamento poderei então dar ao meu tempo, do que a tentar emendar-me?
De mike a 8 de Fevereiro de 2009 às 19:41
Creio, caro Pedro, e se me permite a liberdade, que está a ser demasiado severo na tentativa de se emendar. Concordo com o facto de dever haver a capacidade de aceitarmos as pessoas como elas são, mas ainda assim acredito ser necessária uma avaliação, o que é sempre difícil se procurarmos fazê-la com justiça e objectividade. Abraço.
De Ana Vidal a 7 de Fevereiro de 2009 às 23:46
Obrigada pelo texto, Mike. É muito teu, de facto.

Avaliar uma pessoa deve levar uma vida inteira, ou corremos o risco de errar muito. Quantas vezes um único acto ou gesto fazem esquecer tudo o que estava para trás, não é? :-)
De mike a 8 de Fevereiro de 2009 às 19:44
Eu é que agradeço e louvo a iniciativa, Ana. À tua pergunta respondo, é. É sim. :)
De Ana Paula Motta a 8 de Fevereiro de 2009 às 00:40
É mesmo isso Mike,muitas vezes uma atitude pode nos parecer definitiva, mas não é. Conhecer alguém é muito mais que reagir a seus atos . Conhecer alguém é das coisas mais profundas dessa vida.
Se texto me fez bem, pois sou dada a impulsos e parei para uma reflexão.
De mike a 8 de Fevereiro de 2009 às 19:45
Obrigado pelo comentário Ana Paula. Eu sou menos dado a impulsos e às vezes creio que páro demais para reflexões. :)
De Luísa a 8 de Fevereiro de 2009 às 00:44
Conhecer e avaliar um ser humano é tarefa a que acho demasiado arriscado meter ombros. Às vezes, quando a porta está escancarada e o convite (ou o vento que nos empurra para dentro) é insistente, a avaliação torna-se inevitável. Mas, como a Ana escrevia há dias, não sei bem onde (Don Vivo?), é frequentemente preferível não aprofundar, não ir além de certos limites. As pessoas de quem hoje faço mais cerimónia são os meus melhores amigos… porque quero realmente conservá-los. ;-D
De mike a 8 de Fevereiro de 2009 às 19:49
Como sempre, a Luísa é de uma lucidez incrível e cristalina. Concordo consigo em não ultrapassar certos e determinados limites. Pelas razões que expõe. :)
De patti a 8 de Fevereiro de 2009 às 10:34
E por vezes dessas frestas, vêm de lá desmedidos vendavais.
De mike a 8 de Fevereiro de 2009 às 19:49
Pois vêm, Patti. (risos)
De fugidia a 8 de Fevereiro de 2009 às 11:34
:-)
Excelente meditação, Mike.
E eu, ao contrário da Luísa, fico fascinada com a descoberta: gosto sempre de ir entrando, devagarinho, descobrindo pedacinho a pedacinho, do bom e do menos bom (ou mesmo) mau que todos (sem excepção) somos.
O ser humano é absolutamente extraordinário...
:-)
De mike a 8 de Fevereiro de 2009 às 19:51
Fugidia, creio que a Luísa não diz o contrário. Apenas defende a criação de certas barreiras (conscientes) sobre o conhecimento de um ser humano. Mesmo sendo ele extraordinário. :)
De marie tourvel a 10 de Fevereiro de 2009 às 11:22
Avaliar alguém. Tenho uma certa dificuldade com isso. Sempre avalio pra mais. Geralmente me decepciono. Mas não mudo. Acredito em pessoas. É minha essência.
Magnífico texto, Mike.

Um grande beijo

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