Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Ventos amigos (3)

 

"São as regras e são claras: terá que haver "porta" e "vento".

E por muito que me repita: são palavras, são só palavras, não me consigo alhear das correntes de ar, o resultado de portas abertas ao vento.

E do medo de males certos transportados, invisíveis, nas sentidas correntes de ar.

Feche-se a porta, não se abra a janela, vista-se o casaquinho de malha, sempre assim em diminutivo, suponho que mais por respeito pelas inúmeras qualidades terapêuticas do que por carinho pelas mãos que o tricotaram.

As correntes de ar eram deste modo desviadas para a rua, para os ramos das árvores, para os papéis em reboliço nos passeios, para os cabelos dos passantes, brincavam com os chapéus dos incautos, levantavam as saias das senhoras e defraldavam as cores das bandeiras.

Nada disso, corrigem-me. Que disparate, acrescentam.

Isso é o vento. O vento brincalhão.

As correntes de ar são pérfidas, traiçoeiras, atacam assim pela calada, insidiosamente, espalhando constipações e pontadas, arrepios e resfriados.

Reflito.

O vento é brincalhão?

E as brisas? Suaves, claro.

Páro.

Concentro-me.

Isto deve ser sobre portas e ventos, tal como mandam as regras.

E sobre tal escreverei.

Deixem-me só fechar a porta e vestir um casaquinho de malha porque sinto uma pequena corrente de ar."

 

Texto enviado por: Pitucha

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 00:13
link do post
5 comentários:
De patti a 5 de Fevereiro de 2009 às 10:46
Casaquinho de malha é sinónimo de brisas nas noites frescas de verão.
E já todos brincamos com o vento...
De marie tourvel a 5 de Fevereiro de 2009 às 16:37
Gostei demais do texto da Pituxa. Aliás, o blogue dela é muito bacana também. :)

Beijinhos a todos.
De Ana Vidal a 5 de Fevereiro de 2009 às 16:43
Obrigada pelo texto, Pitucha. Gostei muito.
Um beijo
De Sinapse a 5 de Fevereiro de 2009 às 17:18
O vento amaina nas tuas palavras, belo texto!

:)
De Luísa a 6 de Fevereiro de 2009 às 16:46
As «correntes de ar» traiçoeiras não são as que entram pelas portas, mas as que se infiltram pelas frinchas das portas, Pitucha. A gente sente-as, mas não sabe de onde vêm. Pelas portas bem escancaradas ao vento, entram estas correntes boas, que trazem textos como o seu. Gostei muito. Depois de vestido o casaquinho de malha, há continuação? :-)

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds