Sábado, 22 de Novembro de 2008

Ternura de mãe

 

É natural que uma mãe defenda o seu filho. Mais: é natural que o defenda com unhas e dentes, cegamente, sobretudo quando todos o atacam. E que não queira saber dos argumentos dos que assim se viraram contra ele, por muitos e muito sólidos que sejam. Eu também defenderia assim os meus filhos, tenho a certeza.

 

O problema é que estas defesas emocionais e bem intencionadas podem virar o feitiço contra o feiticeiro. Foi o caso da ternurenta mãe de Dias Loureiro, entrevistada ontem na sua casa, em Aguiar da Beira. Tranquila e ingenuamente, com a simplicidade de quem nada tem a esconder, falou das qualidades de carácter do seu filho com o ardor de qualquer mãe de uma cria ameaçada. Que sempre foi muito trabalhador, muito esperto, muito ambicioso. Que sempre se comportou bem, segundo as regras da decência e da ordem, e que sempre cumpriu os mandamentos de Deus. De tal maneira os cumpriu que chegou a querer ser padre, e, nas suas brincadeiras de criança, "vestia uma saia branca da avó ou enrolava um pano branco à volta do corpo, e depois fazia homilias".

 

Comoveu-me a expressão de orgulho e a total inocência desta mãe, que não tem a mais leve noção de que está a fornecer, em primeira mão e de fonte inquestionável, material de primeira água a todos os humoristas deste país. O seu "menino de coro", que o resto do mundo vê como um tubarão voraz, terá de haver-se com mais este brinde oferecido de bandeja aos seus piores críticos,  com todo o amor e carinho, por uma mãe simples e de uma ingenuidade tocante.

 

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publicado por Ana Vidal às 14:16
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19 comentários:
De mike a 22 de Novembro de 2008 às 16:07
Mãe é mãe, não é Ana? :-)
De Ana Vidal a 23 de Novembro de 2008 às 01:49
Pois é, Mike. :-)
De patti a 22 de Novembro de 2008 às 16:51
Coitadinha da senhora!
Já estou a ver os Gatos, os Contemporâneo e até o Grupo de Teatro de Aguiar da Beira.
De Ana Vidal a 23 de Novembro de 2008 às 01:50
Vai ser um fartar vilanagem, Patti. Pobrezinha.
De Paulo Cunha Porto a 22 de Novembro de 2008 às 19:36
Ou talvez a ausência de medo do ridículo seja uma invulnerabilidade que nós outros perdemos, não achas, Querida Ana?
Beijinho
De Ana Vidal a 23 de Novembro de 2008 às 01:51
Agora é que disseste tudo, Paulo. Essa impermeabilidade ao ridículo é uma superioridade e um luxo que nós, urbanos calejados, já perdemos há muito tempo...
Falo por mim, claro.
Beijinho
De sofia k. a 22 de Novembro de 2008 às 20:59
Então a outra não tinha um tapetinho nas costas??? Amor de mãe...

beijos
De Ana Vidal a 23 de Novembro de 2008 às 01:52
Pois... lol.
De Luísa a 23 de Novembro de 2008 às 00:47
Comovem-me muito as mães que depositam uma fervorosa (porque ingénua) confiança nos seus filhos, Ana. É certo que também estou a ver este específico filho ser um bom filho. Mas só isso. ;-)
De Ana Vidal a 23 de Novembro de 2008 às 01:54
Será? Nem sempre isso acontece, Luísa, quando os voos se tornam mais altos e o ninho começa a ficar longe... mas posso estar a ser injusta, não sei. Talvez ele seja um óptimo filho, sim.
De Cristina Ribeiro a 23 de Novembro de 2008 às 10:56
Mesmo que as vontades mudem com o tempo, fica-se sempre "O Menino de Sua Mãe ".
De Ana Vidal a 24 de Novembro de 2008 às 00:01
É verdade, Cristina. E ainda bem que assim é.
De Mialgia de Esforço a 23 de Novembro de 2008 às 11:11
A entrevista foi, toda ela, uma homilia.

Afinal, não mudou assim tanto.
De Pedro Barbosa Pinto a 23 de Novembro de 2008 às 11:50

E à homilia deve ter seguido naturalmente o Credo.
CREDOOOO que querem prender o meu Manelinho!
De Ana Vidal a 24 de Novembro de 2008 às 00:10
E depois a bênção de Mãe, a única verdadeiramente incondicional. :-)
De Ana Vidal a 24 de Novembro de 2008 às 00:08
Treino de Seminário, Mialgia... mas não me parece que a absolvição venha a ser fácil, mesmo com muitas orações pelo meio...
De Teresa Ribeiro a 23 de Novembro de 2008 às 13:46
Pois é! Pobrezinha! Vai ter direito a missa cantada pelo seu menino :)))
De Ana Vidal a 25 de Novembro de 2008 às 01:22
Eu diria mesmo que a espera uma via sacra, coitada.
De Gi ** a 26 de Novembro de 2008 às 23:47
coitada..

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