Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Bater no fundo

 

 

Esta notícia deixou-me arrepiada.

 

Quando corremos aos lares de idosos a resgatar os nossos pais e avós, não porque os queiramos connosco em casa ou porque de repente criámos condições para voltar a recebê-los, mas porque a magra pensão que recebem nos ajudará a pagar as contas... é porque batemos realmente no fundo.

 

Isto chama-se miséria, não só financeira como moral.

 

 

publicado por Ana Vidal às 23:32
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40 comentários:
De Mialgia de Esforço a 20 de Novembro de 2008 às 00:52
Inteiramente de acordo, Ana. Mas as prioridades do Grande Timoneiro são outras: o Magalhães, as estatísticas do "Ensino" que sorve dinheiro como se não houvesse amanhã, a camarilha dos pareceres e estudos, a corrupção generalizada que é hoje um estado de espírito, a impunidade, etc. É nestas coisinhas que o Estado suga 48% do PIB. Nunca se gastou tanto. E como ainda dizem que conseguem reduzir o défice, adivinhe quem é que se lixa no processo.

Cada dia que passa sinto mais vergonha de ter nascido neste país que se transformou numa autêntica latrina da Europa.
De Ana Vidal a 20 de Novembro de 2008 às 09:26
Esta notícia mostra bem o estado a que chegámos, Mialgia. De pura miséria, acho eu.
De patti a 21 de Novembro de 2008 às 09:42
Volto para dizer que tens desafio no Ares.
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:39
Já lá fui espreitar. Que sarilho em que me metes, Patti! Mas vou tentar cumprir, prometo, quando tiver um bocadinho mais livre.
De Inmarilia jackelyne a 20 de Novembro de 2008 às 14:15
Infelizmente já tinha constatado que chegamos ao fundo há mais tempo.

=(

Aqui estamos sempre no limiar do fundo...

Tem horas que eu acho mesmo que a humanidade é inviável.

Mas sempre há alguma esperança - eu acho.
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:40
A humanidade é inviável, sem dúvida, Marília. Está previsto, é uma questão de tempo...
Até lá, só podemos ir vivendo o melhor possível e tentando atrasar o inevitável.
De fugidia a 20 de Novembro de 2008 às 06:52
O importante, antes de mais, é apurar em que condições estes idosos, e os que nunca foram institucionalizados, se encontram. Afinal, a vivência em família alargada é preferível (não é má, de per si, pelo contrário), digo eu, que sempre vivi com a minha avó materna. Não sei é se há condições (e vontade) de fazer essa "fiscalização".
De Ana Vidal a 20 de Novembro de 2008 às 09:28
Aí é que bate o ponto, Fugi. Não será com certeza o seu caso nem o meu, mas essa vivência em família é muitas vezes um suplício para os idosos, tanto ou mais do que nos lares. E isso é a maior vergonha de uma sociedade.
De patti a 20 de Novembro de 2008 às 08:22

Uma sociedade que renega e maltrata os seus velhos, é desprezível, é indecorosa e podre.
De Ana Vidal a 20 de Novembro de 2008 às 09:30
Não posso estar mais de acordo. E quando os maltrata sacando-lhes ainda por cima a reforma, é tudo isso e muito mais.
De JuliaML a 20 de Novembro de 2008 às 08:48

As coisas não são tão lineares assim, Ana...

Primerio, sou absolutamnte contra os lares, segundo, os familiares pagam exorbitantes somas aos mesmos. Agora pensa. Estás empregada, podes pagar a mensalidade e não podes ter o teu idoso contigo por motivos óbvios. No momento, perdeste o emprego, já não podes pagar,mas podes ter contigo o teu idoso. Sou absolutamente contra as ISS's., que no momento, estão a sentir a crise e estar a espernear.

De Ana Vidal a 20 de Novembro de 2008 às 09:39
Nada é linear, Júlia. Mas não acredito que alguém que fica desempregado e sem recursos tenha condições para dar uma vida digna e confortável a um velho que tinha antes posto num lar. Pelo menos os lares são (ou podem ser) fiscalizados, mas a casa de cada um ninguém vai ver o que se passa.

Ao contrário de ti, não sou radicalmente contra os lares. Não gosto do princípio, mas sei que são um mal necessário, infelizmente. É claro que há de tudo, e alguns são péssimos, mas há famílias onde os velhos são ainda pior tratados. E quase aposto que são exactamente essas aquelas que os vão buscar ao lar por causa do dinheiro da reforma.
De JuliaML a 20 de Novembro de 2008 às 09:56

Aí é que te enganas...essas Istituições são muitissimo mal fiscalizadas e ganham dinheiro do Estado e dos familiares.

Claro que tambem é verdade que há gente que trata mal os seus idosos, entendo esse lado..

Sou contra os lares, sejam de luxo sejam Socais....parece-me sempre que foram ali colocados à espera da Morte...lnge da vida que onstruiram e da sua memória..

beijo

De Ana Vidal a 20 de Novembro de 2008 às 10:07
Júlia, ninguém em seu juízo perfeto pode ser a favor dos lares, como conceito. O que digo é que são necessários, infelizmente, e cada vez mais. Imaginarmos que todos os velhos poderiam viver (com qualidade e dignidade) com as suas famílias, como eles gostariam, é uma perfeita utopia.

Eu sei que a fiscalização nos lares é mais do que insuficiente, mas também sei que nas casas particulares ela simplesmente não existe. E é lá que eles estão, muitíssimas vezes, sujeitos a uma violência doméstica sem testemunhas nem remédio.

Enfim, tudo isto é um quadro de miséria que não nos dignifica nada como país.
De JuliaML a 20 de Novembro de 2008 às 12:42
sim, claro!

mas olha que agora existem outras alternativas, há serviços ao domicilio personalizados, há geriatras domiciliárias, apoio ao idoso no seu próprio lar.

ps - o teu email está avariado?
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:45
Acho muito bem que existam essas e outras alternativas, mas duvido muito que cheguem a muitos desses idosos maltratados de que falávamos...

PS: Que eu saiba, não.
De Pedro Barbosa Pinto a 20 de Novembro de 2008 às 10:44
Será que batemos mesmo no fundo, Ana?Depois deste murro na barriga, resolvi passar pelo blog da Ka para ver se animava. (maldita sensação de impotência que faz de mim um cobarde que foge quando o assunto não agrada!)
Mas tive o que merecia. Crianças com fome e maltratadas em fotografia, guerra na música de fundo e um título eloquente - Não compreendo...
E chorei, Ana. Chorei porque não batemos ainda no fundo, mas para lá caminhamos a passos largos, porque a maioria é como eu - uma cambada de cobardes!
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:49
Há sempre um patamar abaixo, Pedro, é verdade... todos os indefesos maltratados e abusados nos deixam sempre um nó na garganta e uma terrível sensação de impotência, não é?

Mas há coisas que podemos fazer. Não tudo, não muito, mas alguma coisa. Os voluntariados estão aí, para quem os quiser abraçar. E já é um primeiro passo .
De Margarida Pereira a 21 de Novembro de 2008 às 13:54
quid tu hominis es?
... que bela intervenção...
Há blogue?
Em dia de aniversário da Ka e de estupenda troca de argumentos entre a Júlia e a Ana - argumentos que são os meus, em balanço, em ambivalência, sob rendição - 'descobrir'' uma alma masculina tão... 'frágil' dá-me esperança.
Fantástico PBP!
De CNS a 20 de Novembro de 2008 às 10:51
Quando as fundações morais e éticas são frágeis , rapidamente sucumbem ao desespero. Desespero esse muitas vezes despoletado pelo medo da miséria, pela ausência de bens essenciais. Uma dessas fundações que se tem vindo a erodir nas ultimas décadas é a forma como olhamos, consideramos e lidamos com as gerações mais velhas. São excedentes, empecilhos, numa sociedade onde a imagem e a busca da juventude valem tudo. O "resgate" dos idosos ao exílio que formam sujeitos, é apenas um sintoma dessa esquizofrenia social.

um beijo
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:51
E no entanto, Cristina, essa atitude é um perfeito contrasenso: cada vez haverá mais velhos, porque cada vez a natalidade é menor e cada vez se vive mais tempo. Bem podemos começar todos a pensar nisso...
De Leonor a 20 de Novembro de 2008 às 12:40
Acima de tudo miséria moral, Ana. É revoltante.
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:52
Pois é, Leonor, é a miséria moral que mais me preocupa. Porque é a mais perigosa e a mais irreversível...
De JuliaML a 20 de Novembro de 2008 às 13:13

nisso realmente a civilização oriental está acima de nós...

tive um director que priviligiava a idade e a experiência.
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 13:56
Parece lógico, não é?
De Paulo Cunha Porto a 20 de Novembro de 2008 às 18:38
G´anda Patti! Má nada!
Ana, o chupismo é o degurau que se segue ao comodismo na escada que desce para a vileza.

Há uma história que gosto sempre de contar: um ancião, nuns jogos Gregos, procurava inutilmente lugar nas bancadas. Chegado enfim à secção dos Espartanos, todos os jovens e muitos dos de meia-idade se levantaram, para que tomasse o deles. A multidão irrompeu em aplausos. Então o Idoso exclamou: "Ah! Todos os Helenos conhecem o Bem, mas só os Lacedemónios o praticam!".
Também um dia seremos julgados pelo que fizermos aos nossos Velhos.
Beijinho
De Cristina Ribeiro a 20 de Novembro de 2008 às 19:31
A tal pobreza mais pobre que pode haver, Ana.
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 14:01
É verdade, Cristina.
De Ana Vidal a 21 de Novembro de 2008 às 14:01
Seremos, Paulo? Não sei.
Mas há, pelo menos, uma consequência que nos espera: o mesmo tratamento (ou pior) que demos aos nossos velhos, porque foi esse o exemplo que demos aos que vão tratar de nós. Devíamos lembrar-nos mais vezes desse facto, a simples e velha regra da causa / efeito...

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