Domingo, 19 de Outubro de 2008

Lugar


 

Há uma rosa no solitário da janela, champagne nos copos, Vivaldi no ar. Eu leio-te o desejo nos olhos, tu lês-me Borges depois do amor. O lugar, que importa? Pode ser uma mansarda em Montmartre, uma villa em Scirmione, uma caverna em Matmata, uma cubata no Quénia ou um mosteiro suspenso nos Himalaias. Ou pode ser um quarto em Lisboa, com o mundo  inteiro aos pés. O lugar somos nós, onde quer que estejamos.

 

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publicado por Ana Vidal às 14:52
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39 comentários:
De Teresa a 19 de Outubro de 2008 às 15:30
Saio como entrei, de mansinho. Para não incomodar.

P.S. qual era o trecho de Vivaldi?
De Ana Vidal a 19 de Outubro de 2008 às 15:45
Humm, acho que a obra completa, Teresa... ;-)
De Cristina Ribeiro a 19 de Outubro de 2008 às 15:56
"Venice c'est chez n'importe qui..."
De Ana Vidal a 19 de Outubro de 2008 às 17:53
Et souvent pas en Italie, Cristina... :-)
De Anytime a 19 de Outubro de 2008 às 16:03
Tem razão, Ana. O amor é exclusivo, egoísta, tautológico. Poderia citar-lhe mais duas dezenas de lugares que "não importam", como diz. Mas não há. Só há um lugar no mundo; é onde estamos com quem amamos, com quem nos ama.
De Ana Vidal a 20 de Outubro de 2008 às 21:30
Nem mais, Anytime.
De tcl a 19 de Outubro de 2008 às 16:15
I agree
:-)
De Ana Vidal a 19 de Outubro de 2008 às 17:51
:-)
De JuliaML a 19 de Outubro de 2008 às 17:19

:-)

o Amor é o lugar.

bonito de ler, num dia de Sol como o de hoje. quase me deu saudades de amar
De Ana Vidal a 19 de Outubro de 2008 às 17:50
Quase? Ora, não sejas preguiçosa, Júlia... :-)
De JuliaML a 19 de Outubro de 2008 às 18:34

achas?

(preguiça?)

hummm

se calhar
De Anytime a 19 de Outubro de 2008 às 17:38
JuliaML: Quase???? A mim deu, e muita.

É um post muito bonito, Ana. Não posso contudo impedir-me de sentir uma ponta (sem jogo de palavras) de solidariedade masculina (ou inveja de si, no caso de eu ser uma senhora) para com o senhor que inspirou esse post: se bem me lembro, as obras completas de Vivaldi duram um bom par de muitas, muitas horas.
De Ana Vidal a 19 de Outubro de 2008 às 17:49
"No caso de..."?
Caro(a) Anytime, será que está a atravessar uma tão grave crise de identidade?? ;-)

E sim: Vivaldi, de ponta a ponta (também sem jogo de palavras) pode durar muitas e excelentes horas...
De JuliaML a 19 de Outubro de 2008 às 17:51



quase, Anytime, quase, já é muito.

isto sem desprimor para o estado e lugar a que as palavras da Ana me levam. coisas minhas que a Ana conhece.



De fugidia a 19 de Outubro de 2008 às 18:03









(acha que vale a pena o "pois...", Ana? Pois... acho que não. Beijinho e saio de mansinho....)
De JuliaML a 19 de Outubro de 2008 às 18:36

olha, a Fugi já aterrou..

já chegou das nuvens..
De fugidia a 19 de Outubro de 2008 às 19:21
Nops, Julita, ainda estou nas nuvens...
De Ana Vidal a 19 de Outubro de 2008 às 19:17
Ena, Fugi! Vejo que vem do fim-de-semana com um sorriso de orelha a orelha (perdão, de sapo a sapo...). Ainda bem!

Pois... presumo que tenha ouvido as sinfonias completas de um qualquer compositor... verdade?
beijinho
De fugidia a 19 de Outubro de 2008 às 19:22
Querida Ana,
nops, sinfonias não... mas a música é muito boa...
(risos abafados)
De Dulce a 19 de Outubro de 2008 às 18:53
Este poema do Luis Fenando Verissimo é especial p/ a JULIAML, cujo blog embora nunca tenha comentado, eu visito com frequencia.
Bjs
Dulce


Quase
Ainda pior que a convicção do não,
a incerteza do talvez,
é a desilusão de um "quase".

É o quase que me incomoda,
que me entristece, que me mata,
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga...
quem quase passou ainda estuda...
quem quase morreu está vivo...
quem quase amou não amou...

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor, não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia",
quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem
até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos
somente paciência, porém,
preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão...
pros fracassos, chance...
pros amores impossíveis, tempo...

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando...
fazendo que planejando...
vivendo que esperando...
porque, embora
quem quase morre esteja vivo...
quem quase vive já morreu...!

De JuliaML a 20 de Outubro de 2008 às 02:39

Dulce,

Muito e muito obrigada pelo poema , pelo carinho.

Agora, espreite e veja o que Veríssimo tem a dizer sobre esse poema!!
:-)
http://www.dotdotdot.com.br/lfv/diversos/presque.php

http://www.dotdotdot.com.br/lfv/diversos/textos_falsos.php

um abraço







De miguel a 19 de Outubro de 2008 às 23:46
Atenção minha gente. amar ao som de Vivaldi não é para qualquer um. À velocidade a que o homem imprimia aos seus
"prestos" e "alegros" e "alegro vivaces" suponho que nem o Obykwely o conseguiria acompanhar com o seu ritmo de passada quando está a correr os 60 metros em pista coberta.

Aliás ( não sei se sabiam ) Vivaldi era Padre. Talvez por isso e por ser basicamente alegre, a sua música sempre foi menos de lençóis do que de bailes da aldeia.

:-)
De Ana Vidal a 20 de Outubro de 2008 às 01:37
A única coisa que posso responder-te, Miguel, é que pelo teu comentário se nota que te falta ainda experimentar muitas emoções. Por exemplo, as que um baile de aldeia pode proporcionar...
Aplica-te, é o que te aconselho.

E sim, sabia que Vivaldi era Padre. Talvez por isso tivesse escrito música que nos pode levar directamente ao céu, num alegro vivace...

(Já te disse que as tuas entradas em cena me lembram sempre as do Kramer, no Seinfeld?)
De Paulo Cunha Porto a 20 de Outubro de 2008 às 09:19
Querida Ana,
adoro Vivaldi, mas ligá-lo ao Amor não é transformar tão Excelso Passatempo numa... actividade sazonal? Embora estejam lá as Quatro Estações, eu sei.

O texto está um primor.
Temos de combinar uma desgarrada, com textos literários curtos sobre os sentimentos, em abstracto, alternando a minha insuficiência de baixo com as Tuas Alturas de... Meio-Soprano?
Beijinho
De Ana Vidal a 21 de Outubro de 2008 às 00:58
Já estou a afiar a caneta, ou melhor, a tecla... venha de lá o desafio, Paulo, desgarradas é comigo!
Beijinho

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