Sábado, 11 de Outubro de 2008

Poemas escolhidos - 9

 

 

CORPO


Que não seja estátua!

Seja às vezes carne
Entre rosa e sangue
Entre forma e fundo.
Saiba ser o fruto
Sem ser só o gomo
Seja vinho novo
Seja apenas sumo.

Seja nevoeiro.
Venha nu, mas venha
Envolto na bruma....
Possa ser mistério...
Seja cais à espera
Seja barco à vela;
Possa ser mar alto
Seja ainda espuma.

(Traga o encanto de ser
impossível e longinquo
como um postal colorido
de uma cidade qualquer)
Que para além da imagem
Haja madrugada
Seja uma viagem
Entre tudo e nada.

Como o álcool puro
Quando se evapora
E risca o futuro
Do lado de fora...
 

 

(Fernando Tavares Rodrigues)

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 17:34
link do post
13 comentários:
De JuliaML a 11 de Outubro de 2008 às 19:54

gostei e não conhecia!..
De Ana Vidal a 12 de Outubro de 2008 às 00:45
:-)
De Torquato da Luz a 11 de Outubro de 2008 às 20:43
O Fernando escreveu coisas muito bonitas. Partiu cedo, como dizem que acontece com aqueles que os deuses amam. Estranho amor...
Herdara do pai - de quem também fui amigo - o respeito de certos valores hoje infelizmente muito esquecidos.
Obrigado, Ana.
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 20:50
Engraçado, Torquato, temos então mais isso em comum: fui muito amiga do Fernando também. Foi ele, aliás, quem apresentou o meu primeiro livro e acompanhei a produção do último dele - XXI Sonetos de amor. Teve um fim triste, infelizmente. É pena que os livros dele (tenho-os todos) não tenham sido reeditados ainda e já não se encontrem no mercado.
Um beijo
De Paulo Cunha Porto a 11 de Outubro de 2008 às 22:32
Só ácho a última estrofe algo deslocada... comparação com o álcool, conotação desinfectante, não é o contrário da fasinação do corpo?
Beijinho, Querida Ana
De Ana Vidal a 12 de Outubro de 2008 às 00:45
Sempre analítico, Paulo... ;-)
beijinho
De Ana Vidal a 12 de Outubro de 2008 às 11:59
Pensando bem, gosto da analogia com o Álcool: não lhe vejo conotação desinfectante, mas sim uma coisa simultaneamente forte e volátil.
De fugidia a 12 de Outubro de 2008 às 00:09
Muito bonito, sim

(Ah!, falta o... "pois"! )
De Ana Vidal a 12 de Outubro de 2008 às 00:46
O pois está... partout, Fugi. Não é de corpos de falamos? ;-)
De fugidia a 12 de Outubro de 2008 às 07:59
Sim... referia-me ao meu "pois": faltava-me dizer-lhe a si, minha querida Ana: pois...
(risos abafados)
De Ana Vidal a 12 de Outubro de 2008 às 10:38
:-)
De marie tourvel a 12 de Outubro de 2008 às 14:08
Ah... essas poesias que me encantam. Lindo, Ana, lindo. Um grande beijo.
De Ana Vidal a 13 de Outubro de 2008 às 11:26
Outro, Marie.

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds