Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Pergunta inocente II

 

Se os partidos impõem a disciplina de voto à sua bancada parlamentar, por que carga de água é preciso haver mais do que um deputado por partido?

 

(bastaria que o voto do representante de cada partido valesse na proporção dos votos do seu partido... e pouparíamos todos nós, contribuintes, muito dinheiro em salários, reformas e regalias várias.)

 

Adenda: Tiro o chapéu a Manuel Alegre, que mais uma vez demonstrou ter carácter e não se deixar enrolar numa obediência cega em questões de consciência. Felizmente, ainda é verdade que "há sempre alguém que diz não"...

 

 

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publicado por Ana Vidal às 12:00
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16 comentários:
De Luísa a 10 de Outubro de 2008 às 15:29
Querida Ana, esse é uma questão que faz todo o sentido. Era suposto serem muitos para estarem mais próximos dos eleitores e representarem melhor a diversidade de opiniões. Mas sendo como é, cinco (com a tal força proporcional ao voto) são mais do que suficientes, e a solução actual só pode sugerir grande oportunismo e dúvidas sobre a verdadeira democraticidade da nossa democracia. Para mim, continuam, com a «forma» democrática, a tentar iludir-nos acerca da «essência» democrática. Uma tristeza. :-(
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2008 às 16:11
Também acho, Luísa. Para mim, em democracia a disciplina partidária é um absurdo. O contrário, admito, mostra as clivagens internas de cada partido... mas o parlamento não existe para mascarar as divergências internas. Com tudo isto, o que acaba por acontecer é o ridículo de situações como esta da "declaração de voto" dos deputados do PS. Ridículo e inútil, aliás, porque é um gato escondido com o rabo de fora...
Uma tristeza, como diz. :-(
De Meloes a 10 de Outubro de 2008 às 15:45
Gosto do titulo: perguntas inocentes...
Perguntas inocentes com respostas absurdas, eis o retrato da existencia humana.
Beijos
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2008 às 16:12
Parece-me que agora disseste tudo, Melões.
beijos
De Huckleberry Friend a 10 de Outubro de 2008 às 17:38
Apoiado, Ana! Tenho para mim que, excluindo situações que afectam directamente a governabilidade, como sejam moções de censura e confiança ou orçamentos de Estado, a disciplina partidária não deveria existir. Impô-la numa questão de consciência é abjecto.
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 13:17
Exactamente, Pedro. Estas são as questões em que impôr um voto solidário é uma violência e um absurdo anti-democrático. No caso presente, num partido que se arroga defensor das liberdades...
De Paulo Cunha Porto a 10 de Outubro de 2008 às 21:17
Ai, Ana,
então, logo Tu, agora rendes-Te ao Capitalismo? Queres transpor para a política o princípio de votação dos representantes dos accionistas nas Assembleias Gerais das empresas?
Minha Amiga, passa-Te é para o meu lado, fechemos de vez o casarão.
Beijinho
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 13:25
LOL. Eu sei que o "Casarão", querido Paulo, tem um telhado de vidro cheio de fragilidades. Mas não conheço melhor morada, se queres saber. Tu contrapões o "Palácio", e eu digo-te que não tenho nada contra a ideia de ser governada por um rei, mas já tenho contra a inevitabilidade de ter de aceitar o filho dele, o neto, etc., sejam eles capazes ou não. Não me convencem, sorry... ainda que a estética me atraia.
Beijinho
De Cristina Ribeiro a 10 de Outubro de 2008 às 22:08
Toda a razão de ser, a da pergunta: é evidente que a avassaladora maioria está ali para inglês ver...
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 13:27
E para dormir, e para ler o jornal, e para dizer umas baboseiras de vez em quando porque gosta de se ouvir... salvo as honrosas excepções, claro.
De fugidia a 10 de Outubro de 2008 às 22:39


Resposta inocente: porque muitos têm mais força...?
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 13:28
Será que têm, Fugi? :-)
De mike a 10 de Outubro de 2008 às 23:03
Ana, a menina agora deu em fazer perguntas difíceis? ;-)
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 13:29
Inocentes, Mike, inocentes... ;-)
De sem-se-ver a 11 de Outubro de 2008 às 11:32
tinha 16 anos qd me inscrevi num partido político. a 26 de novembro de 1975.

saí em janeiro de 1977.

(nunca mais me inscrevi em nenhum)

para além de outras ponderosas razões, porque não admiti ser cerceada na minha capacidade racional, pensante e crítica pela lógica da disciplina partidária.

tenho-me dado bem. porque sou livre.

livre, naquela AR e neste caso, foi só manuel alegre.

deve ser por ser poeta.

ou um homem de carácter.

tudo aquilo é abjecto - não só quem manda obedecer, mas mais, muito mais, quem obedece.

(o problema não é só ser abjecto; é ser assustador por tão revelador ser da infinita capacidade humana de prescindir do seu livre-arbítrio para se tornar capacho aos pés de outros. a ausência de dignidade fere quem a demonstra e apavora a quem ela assiste. partido que me dissesse que, em assunto de consciência, não poderia seguir a minha, teria a entrega do meu cartão acto contínuo. estar nas mãos de deputados que não o fizeram e não o farão nunca faz-me tremer.)
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2008 às 13:32
A mim também me faz tremer, SSV, pelas mesmíssimas razões: arrepia-me a ideia de ser representada por gente que põe a ambição à frente do carácter.

Tiro o chapéu a Manuel Alegre, que mais uma vez mostrou não alinhar em manadas cegas.

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