Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Nobel

 

Preguiçosamente - porque tenho tido pouco tempo e igual quantidade de paciência para a bloguice - roubei ao Luís Serpa esta citação belíssima do novo Nobel da Literatura: 

 

"Ceux qui sont immobiles sur la terre errante: les voyageurs.
Ceux qui fuient sur la terre immobile: les sédentaires.
Mais ceux qui fuient sur la terre errante, et ceux qui sont immobiles sur la terre immobile: comment les appeler?"


Não foi por acaso, certamente, que Le Clézio ganhou o prémio.

 

(Obrigada, Luís. É tão bom ter quem faça os trabalhos de casa por nós...)

 

Adenda: Meus amigos, confesso que fiz uma pequena batota: não pus aqui a citação completa, e fi-lo de propósito para provocar justamente o que aconteceu: cada um deu o seu palpite, e todos eles foram óptimos. Aqui está a solução (parcial) de Monsieur le Nobel:

 

"Ceux qui fuient sur la terre errante: je propose de les appeler "marins"."

 

E os outros?, perguntarão... Eu chamar-lhes-ia "mortos".

 

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publicado por Ana Vidal às 18:34
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13 comentários:
De miguel a 9 de Outubro de 2008 às 19:12
Irra.E eu a pensar que quebra-cabeças só existiam na matemática e afins...
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2008 às 12:12
Esses são os mais fáceis de resolver...
De Paulo Cunha Porto a 9 de Outubro de 2008 às 20:09
Les ( In)adaptés?
Beijinho, Querida Ana
De fugidia a 9 de Outubro de 2008 às 20:56
Les "voyadentaires"?
(ups, ai o meu francês...)
De Luísa a 9 de Outubro de 2008 às 22:45
Gosto da sugestão do Paulo, Ana. Nessa mesma linha, e como pensei na falta de raízes e no excesso delas, estava capaz de lhes chamar (des)enraizados – será «(des)enracinés»? Mas também gosto da sugestão aglutinadora da Fugidia. :-)
De mike a 9 de Outubro de 2008 às 22:52
Les pétrifiés?
(Faltará um e?)
De Luis Serpa a 9 de Outubro de 2008 às 23:03
Antes de mais: de nada, Ana, é um prazer. Quando quiser, o Don Vivo está aí.

As tentativas de resposta são muito boas, Fugidia, Luísa, Mike, Paulo, mas informo - para poupar à Ana o labor - que a citação no DV está completa.

Se bem a da Luísa me pareça bastante pertinente, e a do Paulo muito acutilante (sem os parênteses, em ambos os casos). Ou ao contrário.

Ah, e já agora: Déracinés, Luisa. É uma palavra bonita, não acha?
De Luísa a 10 de Outubro de 2008 às 01:18
Pois é «déracinés», Luís, já tinha ido verificar ao dicionário. Mas a ideia do parêntesis, pelo menos no meu caso, é para servir as duas situações previstas: «déracinés» para «ceux qui fuient sur la terre errante»; «racinés» ou «enracinés» para «ceux qui sont immobiles sur la terre immobile». «Voilà»! :-)
De adelaide a 10 de Outubro de 2008 às 04:04
Pois a preguiça rendeu um belo post, Ana.

Beijos
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2008 às 09:26
Também acho, Adelaide. Posso dizê-lo porque não tenho nenhum mérito nisso, foi todo feito por outros!
Um beijo
De baterdeasas a 10 de Outubro de 2008 às 04:36
também há os que não fogem.
De JuliaML a 10 de Outubro de 2008 às 08:57

É sempre uma surpresa este Nobel. Vários factores pesam sempre em deterimento do merecimento, um dos quais o linguistico.
Vargas Llosa merece há anos e nunca o recebeu, uma injustiça. Outros como Carlos Fuentes, por exemplo mereceriam mais. .Do laureado li "Le désert""e não é nada de especial, nada de novo acrescenta.

Para mim , a grande noticia do momento é o novo livro de Helberto Helder," A FACA NÃO CORTA O FOGO"
hhe tambem mereceria, por que não o prémio . mas esse, é dificil de traduzir em sueco e concerteza O RECUSARIA, como fez Sarte, embrora por outras razões.


De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2008 às 09:19
A questão do merecimento é sempre muito relativa, Júlia, não é possível ser apreciada com objectividade. E haverá sempre mais escritores consagrados do que medalhas Nobel. Já é difícil comparar os da mesma língua, quanto mais compará-ls à escala mundial... Confesso que não conheço a obra de Le Clézio, mas esta pequena amostra deixou-me rendida. Vou lê-lo, com certeza. É também para isso que servem estes prémios.

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