Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Luas

A Luísa deu o mote, com as suas belíssimas fotografias da Ericeira e uma reflexão sobre a multiplicidade da lua.

 

Lembrei-me da minha amiga Catarina (a quem devo, pelo menos, um dia inteirinho de conversa saborosa...), que me mandou esta lua cheia espantosa, fotografada da sua varanda sobre o Tejo em pleno mês de Agosto.

 

Há muitas luas, sim. Tantas quantos os nossos desejos, os nossos sonhos, as nossas fantasias. A lua é múltipla porque é feminina: faz-se, desfaz-se e refaz-se... como todas as mulheres. 

 

 

(Este poema é para ti, Cat.  Agradecendo esta lua linda que me mandaste.)

 


Crepúsculo de Agosto

Dos amigos que perdi
não falo. Sei
que estamos em Agosto, mês
dos remos escaldantes, sei
que há lodo sob as algas,
sob a pele. Oblíqua,
sei também, a sombra
cai sobre as oliveiras. É
tempo de içares
tuas velas, de ergueres
teus guindastes
junto ao rio. Disponíveis estão
as luzes; preparadas,
ermas estão as águas.

Preciso de arrumar a casa, rever o sistema, brunir
os móveis e o tacto.
Preciso de opor o tempo ao tempo.
O espaço ao espaço.

(Albano Martins)

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publicado por Ana Vidal às 23:20
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20 comentários:
De baterdeasas a 13 de Setembro de 2008 às 02:19
Este poema faz-me recordar, o "Inúmera" do David Mourão Ferreira ... ;)
De baterdeasas a 13 de Setembro de 2008 às 02:36
No Blog de Mariana Inverno ... estão mais poemas desse autor.
Para bom entendedor meia palavra basta.

http://poemariodemariana.blogspot.com/2004_11_01_archive.html
De Ana Vidal a 13 de Setembro de 2008 às 16:23
Já lá fui ver, Joana. Tem muito bom gosto na escolha de poemas. :)
De Cristina Ribeiro a 13 de Setembro de 2008 às 02:38
Bonito, o que diz da lua, Ana: faz-se, desfaz-se e refaz-se"; sim, tal como uma mulher.
Beijinho
De Ana Vidal a 13 de Setembro de 2008 às 16:21
Somos assim, não é, Crsitina?
Para sorte dos homens, que não são tão resistentes nem tão flexíveis...
Beijinho
De fugidia a 13 de Setembro de 2008 às 07:02
Há luas lindíssimas e esta é uma delas

Bom fim-de-semana e beijinhos.
De Ana Vidal a 13 de Setembro de 2008 às 16:19
Bom fim-de-semana, Fugi.
Beijinho
De patti a 13 de Setembro de 2008 às 13:20
Eu ontem, por pouco que também não via uma lua dessas.
Passei um dia interirinho, em tour por Lisboa e só voltei mesmo à noitinha.
De Ana Vidal a 13 de Setembro de 2008 às 16:19
Mas ontem não estava cheia, Patti...
De patti a 13 de Setembro de 2008 às 16:26
Disse "por pouco" no sentido em que fiquei a passear por Lisboa até muito tarde, quase noite.
E a ventania ao fim do dia era tanta, que se houvesse lua tinha sido enchotada pelas rajadas, de certeza.
:)
De Luísa a 13 de Setembro de 2008 às 15:23
Essa enorme lua, Ana, é a tal lua amarela da inquietação (ou, entre nós, da sensualidade ;-) ). Nunca a vi assim em Lisboa, mas a verdade é que, em nossa casa, pouco olhamos para o céu. Devo voltar aí com Lua Cheia e hei-de me pôr à espreita. Um beijinho.
De Ana Vidal a 13 de Setembro de 2008 às 16:18
Fico à espera da obra-prima que vai ser essa fotografia, Luísa. Bom resto de férias, até lá. Não tenha pressa...

Um beijo
De Paulo Cunha Porto a 13 de Setembro de 2008 às 21:27
Provocação mais do que gratuita: Lembram o passo do «Romeu e Julieta» em que o velho Will comparava a variabilidade das faces lunares à dos amores da Mulher?
Saio de fininho
Bj.
De Ana Vidal a 13 de Setembro de 2008 às 21:41
La donna e mobile? É isso, menino Paulo?
Bah, o velho Will não percebia nada do assunto. Pelo contrário, os amores femininos são bem mais duradouros... não são vocês, homens, que têm o tal gene (muito conveniente, diga-se) que vos faz infieis? Ou será que a "importante descoberta científica" já foi desmentida, hein?

;) Beijinho
De mike a 14 de Setembro de 2008 às 10:49
O Paulo tem sempre as palavras certas. E sai de fininho. Eu ao escrever aqui que a lua é feminina e só a lua é mentirosa, saio daqui como?... a correr!... ou corrido!
De Ana Vidal a 14 de Setembro de 2008 às 11:46
Corrido, sim, menino Mike!
Não é só a lua que é mentirosa, ora essa! O sol, que vos representa, também engana muitas vezes...
:)
De Paulo Cunha Porto a 14 de Setembro de 2008 às 11:39
Ehehehehe, Caro Mike.
Entretanto, Miss Ana, sem me comprometer com concordância, deixo uma história moral:
"Certo dia, Alphonse Karr encontra um amigo. Diz-lhe que prepara uma nova peça de teatro. O outro pergunta-lhe como é. Resposta:
-Primeiro acto, o homem diz para a Mulher «eu amo-te», a Mulher diz para o homem «eu adoro-te». Segundo acto, o homem diz para a Mulher «eu amo-te», a Mulher diz para o homem «eu adoro-te». Terceiro acto, o homem diz para a Mulher «eu amo-te», a Mulher diz para o homem «eu adoro-te».
Mas então, retorquiu o interlocutor, é sempre a mesma coisa?
Não, contrapôs o dramaturgo. Em cada acto o homem é diferente".
Não bata muito. Eu até sou bom rapaz.
De Ana Vidal a 14 de Setembro de 2008 às 12:28
lol lol lol

Não resisto à graça, embora não concorde nada com o conteúdo...

Alphonse Karr era um dramaturgo preguiçoso e caro. Poupou no texto, em vez de poupar nos actores. E não conhecia as mulheres, está visto, ou havia de reconhecer-lhes pelo menos um bocadinho mais de imaginação na resposta...

Não bato nada, que ainda foge outra vez. Volte sempre, mon ami.
De Sofia K. a 15 de Setembro de 2008 às 15:56
Eu acho que sou mesmo como a lua e tenho fases, já dizia Cecília Meireles e é verdade. Ontem estava maravilhosa, perfeita... vim no regresso a casa a olhá-la sem parar... parecia desenhada sobre os campos do nosso oeste! Perfeita poesia!

beijinhos

p.s. mais do que nunca ando atenta às fases da lua!
De Ana Vidal a 15 de Setembro de 2008 às 16:17
Também eu, Sofs. É coisa de mulheres, não há dúvida.

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