Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Absoluto

 

 

"Un homme qui préfère la voix de sa conscience à celle de son amour, peut être un héros aux yeux des hommes. Mais il est certain qu'il n'est pas mon homme, dis-je tranquilement."

"Pénélope", in Paix à Ithaque, Sándor Márai.*

 

 

Grande, enorme Márai. Não falo só da qualidade literária, que é inquestionável. Falo da densidade, da profundidade, da simplicidade com que diz estas verdades essenciais. Raramente tenho encontrado um escritor (homem) que conheça tão bem a natureza feminina como ele (leiam "A mulher certa", minhas amigas, e digam-me se não tenho razão). A mim, conhece-me como se vivesse desde sempre no meu coração e passasse férias no meu cérebro.

 

*Notas:

1. A citação foi encontrada no Don Vivo e descaradamente roubada para aqui 

2. Imagem - O Livro-Espelho, de Chema Madoz 

 

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publicado por Ana Vidal às 10:49
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17 comentários:
De baterdeasas a 2 de Setembro de 2008 às 12:30
Cara Ana
Gostei da citação ... isso é válido ainda mais nos tempos de hoje, em que os divórcios e separações são comuns e não há motivos para manter uma relação se um deles ama outra pessoa.
Mas há um paradoxo nessa lógica masculina. Onde está a sua consciência em relação ao ser amado ? É provável que a excluída se sinta completamente perdida, só e infeliz ... O argumento do passado serve para a parte que lhe convem ... Além de falta de carácter é também um mentiroso pois na realidade isso não é amor. Por amor corre-se riscos, muda-se de vida... enfim faz-se o impossível.
Visto noutra perspective, também me parece um certo desamor essa conclusão da excluída... Julgo que quando se ama apesar da comprovada falta de carácter do outro, não se consegue acabar com uma relação.... mas claro isso acaba por acontecer se forem anos e anos num inferno.
Bj.
Joana
De baterdeasas a 2 de Setembro de 2008 às 15:58
rectificação: queria dizer "argumento da consciência"
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 16:46
Joana, vai-me desculpar mas a sua leitura desta frase de Márai é completamente diferente da minha, e não sei se percebo bem o que quer dizer com a sua interpretação.
Eu diria que leio exactamente o contrário...
Bj
De baterdeasas a 2 de Setembro de 2008 às 16:49
LOL
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 16:50
sorry...
De JuliaML a 2 de Setembro de 2008 às 15:35

claro, Ana, nem pode ser o homem de ninguém! ..
O ser-se verdadeiro consigo próprio tambem é um traço de caracter.

inhos apressados
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 16:43
Beijinho, Júlia
De Luísa a 2 de Setembro de 2008 às 16:27
Nunca li e vou ler, Ana, e depois lhe direi se Márai também me conhece a mim tão bem. O meu homem é – concordo - aquele que prefere a voz do seu amor. Mas não desgosto que o disfarce, parecendo preferir a voz da sua consciência. Dá-lhe, a ele, carácter e independência; dá-me, a mim, luta. ;-)
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 16:42
Ah, claro que sim, Luísa! Concordo com cada uma das suas palavras.
Isso é essecial, a luta... ;)
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 16:56
Luísa, na "Mulher Certa" Márai encarna, na primeira pessoa, uma personagem feminina. Ao fim de pouco tempo de leitura achamos quase impossível que o escritor seja um homem. Se ainda não leu, sugiro também "As velas ardem até ao fim", possivelmente a obra prima dele.
De mike a 2 de Setembro de 2008 às 21:00
Nossa!... as mulheres não se contentam com tudo... (risos)
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 22:11
"Tudo" é pouco, Mike... lol
De Cristina Ribeiro a 2 de Setembro de 2008 às 20:05
Também não li, mas o que dele escreve, Ana, é convidativo...; uma espécie de Chico Buarque das letras...
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 20:32
Alguns intelectuais ficariam escandalizados com essa comparação, Cristina, mas eu não a acho nada disparatada: o Chico Buarque conhece-nos como poucos homens, é verdade. :)
De mike a 2 de Setembro de 2008 às 21:03
Um livro para senhoras, portanto... hum... sinto-me tentado a ler... se ele conhece tão bem a natureza feminina, talvez aprenda alguma coisa. ;-)
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2008 às 22:09
Pelo contrário, Mike, "A mulher certa" é um livro que vinga os homens: é a história de uma mulher que consegue destruir um casamento (e um homem de carácter) por ser excessivamente complexa e querer dissecar tudo ao milímetro, à exaustão. Márai entra na nossa cabeça e conhece cada pensamento feminino como se fosse uma mulher (como uma mulher e não como um homossexual, o que é completamente diferente).
Impressionante, além de muitíssimo bem escrito (embora a tradução não seja famosa).
De JuliaML a 2 de Setembro de 2008 às 23:05
concordo omais possível contigo!

eu dele li "as velas ardem até ao fim" e gostei muitissimo!

Esse livro que falas não li ainda propositadamente.... quero poupar-me e penso que não será o momento ainda para o ler...
e daí, o conhecimento de nós proprios nunca fez mal a ninguem. tá dito- vou arrancar com a leitura




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