Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Ainda sobre o "dia de" hoje...

 

 

Tudo se inventa, hoje em dia. Qualquer teoria é defensável desde que não tenha de ser provada. E no que toca a teorias de auto-ajuda, a oferta é quase infinita. Há até um maduro que defende qualquer coisa de tão extraordinário como o "parto orgásmico". Isso mesmo, leram bem. Um orgasmo durante o parto... querem coisa mais aliciante, tão "a calhar" naquele momento? Uma amiga grávida* mandou-me a notícia por mail e eu não queria acreditar no que lia...

 

Vale a pena ouvir o que diz o iluminado Ricardo Herbert Jones (deixo aqui estes dois excertos para quem não tiver paciência para ler todo o artigo, o que eu, aliás, entendo perfeitamente):

 

"O orgasmo durante o nascimento só pode ocorrer quando todas as variáveis de segurança, afeto, tranqüilidade e equilíbrio emocional estiverem garantidas. Desta forma, o orgasmo será a conseqüência deste ambiente de positividade, e não sua busca objectiva."  

 

"Parto orgásmico é um mergulho profundo no ser feminino. É a descoberta do prazer de parir; o segredo mais bem guardado, no dizer da parteira americana Ina May Gaskin. É uma possibilidade para qualquer mulher desde que possa despir-se das capas de medo criadas pela cultura patriarcal que tenta dominar a força criativa da mulher, culpabilizando-lhe o prazer e domesticando o feminino."

 

O blá blá blá continua aqui, para quem ainda não estiver devidamente esclarecido.

 

Tenho só a dizer-lhe, caro Ricardo Herbert Jones, que só um homem se lembraria de uma destas. Porquê? Porque só um homem pode dizer todas as asneiras que lhe vierem à cabeça sobre um assunto que desconhece em absoluto, sabendo que jamais terá de vivenciá-lo para provar a sua teoria... 

 

Tenha primeiro um filho, meu amigo - e de parto natural! - e depois venha falar-me de orgasmos durante essa experiência light...

 

(*querida Sofia, lamento desenganar-te... a maternidade é a experiência mais extraordinária do mundo, mas não tem nem um pingo de erotismo!)

 

publicado por Ana Vidal às 22:24
link do post
20 comentários:
De fugidia a 31 de Julho de 2008 às 22:56
Estou farta de me rir, Ana...
Será que tenho que engravidar para ver se é desta que consigo tão espectacular orgasmo???
De JúliaML a 31 de Julho de 2008 às 23:22

onde tu vais buscar essas coisas? risos

estou a rir aqui sozinha, o mundo está louco.



De Ana Vidal a 31 de Julho de 2008 às 23:33
Louco varrido, Júlia!
Mas ainda bem que te fiz rir...
;)
De Ana Vidal a 31 de Julho de 2008 às 23:32
Hummm... acho que não vale o risco, Fugi... a não ser que queira muito ser mãe outra vez!
:)
De mike a 31 de Julho de 2008 às 23:14
Parto orgásmico soa a incesto, não?
Que raio de teoria esta... só mesmo vinda de um homem...
De fugidia a 31 de Julho de 2008 às 23:16

De facto, Mister...
De Ana Vidal a 31 de Julho de 2008 às 23:31
E não é que soa mesmo a incesto?... ou, pelo menos, a qualquer coisa de aberrante.
De Cristina Ribeiro a 31 de Julho de 2008 às 23:38
É extraordinário! Não há limites para estes "vendedores de banha da cobra" :)
De Jorge Antunes a 1 de Agosto de 2008 às 09:50
Digo-lhe, minha cara Ana V. (não leve a mal a intimidade do tratamento) que o seu texto foi um bálsamo para as memórias tenebrosas em que me enredei. Com efeito, pai de três filhos, sempre achei que a minha mulher - ao não fazer questão que assistisse aos partos - me estava a poupar a um espectáculo que todos garantiam ser impressionante. Agora percebo que não: pura e simplesmente me negava o erotismo, a vivência (pode falar-se em visão, também?) do orgasmo pártico. Não me estava a poupar - estava apenas a punir-me. Tudo é mais claro agora - como é mais justa a recusa da pensão de alimentos.
De Ana Vidal a 1 de Agosto de 2008 às 10:40
LOL!
Caríssimo Jorge Antunes, não seja batoteiro...
Olhe que eu não quero ser responsabilizada pela penúria da sua família, daqui para a frente!
(e posso garantir-lhe que a sua mulher foi muito generosa ao poupá-lo ao espectáculo dos seus "orgasmos" na sala de partos... )
De CNS a 1 de Agosto de 2008 às 10:19
É sem dúvida fantástica esta teoria, tal como muitas semelhantes que se recusam a aceitar experiências extraordinárias, como é a da maternidade, que não impliquem prazer total. Gerar uma nova vida deixou de ser suficiente. É necessário que seja uma experiencia aliciante, uma explosão de prazer para que valha a pena. Todo o resto, todo o lado emocional, interior é ultrapassado.

beijinho
De Ana Vidal a 1 de Agosto de 2008 às 10:36
Tem razão, Cristina. A sobrevalorização do prazer já ultrapassou todos os limites do razoável. Não concebemos nenhuma experiência satisfatória que não passe pelo prazer mais óbvio, mais básico... é preocupante, sim.

beijinho
De sofia k. a 1 de Agosto de 2008 às 11:47
Não me desenganas querida, não estava à espera dessa experiência, deixo isso para outras experiências! ;-)

beijinhos

P.S. Também vou pôr um laço desses na minha barriga!
De Ana Vidal a 1 de Agosto de 2008 às 18:31
E vai ficar-te a matar!
:)
De sum a 1 de Agosto de 2008 às 23:19
Já me parti a rir.

Porta do vento no seu melhor.
De Ana Vidal a 2 de Agosto de 2008 às 01:05
E o mundo no seu pior, Sum... mas enfim, mais vale levarmos as coisas com humor. Ainda bem que a fiz rir.

Beijinho
De Nuno Castelo-Branco a 2 de Agosto de 2008 às 15:26
Após a transcendência do discurso do "presidente", foi a coisa mais divertida que li. Parto orgásmico... Ena, pá, o Xtube incluirá esta modalidade para o comum dos mortais ver. Mas ainda não percebi como é que poderão atingir o prazer supremo. Vou perguntar a amigas, talvez saibam. LOL!
De Ana Vidal a 2 de Agosto de 2008 às 15:41
O melhor é perguntar a amigos, Nuno, se quiser uma resposta afirmativa. LOL
Lamento, mas nenhuma das suas amigas lhe saberá explicar uma patetice destas, sobretudo se já tiver sido mãe...
:)
Volte sempre.
De Anónimo a 12 de Fevereiro de 2009 às 18:20
Não entendestes nada... ninguém... não é um orgasmo aliciante e sim a sensação que vem com o parto... fiz parto natural em casa e posso dizer tiver essa sensção... não de "prazer estrito sexual", mas de sentir-me~tão plena quanto.

E se não sentistes, lamento, mas nem todas conseguem se permitir sentir tudo... a dor completa do parto é diretamente proporcional ao prazer de ter seu filho... a e o meu foi em casa.

O próprio escritor coloca que nem todas as mulheres sentem igual.

Saudações; da mamãe mais feliz do mundo...
De rhjones@ig.com.br a 11 de Novembro de 2009 às 02:32
Estava a procurar um texto que eu mesmo havia escrito e postado na Internet quando encontrei este blog que comentava, de forma jocosa e até um pouco desrespeitosa, uma entrevista minha em Portugal. Mas, acalmem-se: não vou "criticar a crítica" e nem reclamar do debate; apenas queria aclarar algumas idéias. Fiz os comentários sobre parto orgásmico apenas porque sou participante como "expert" do filme "Orgasmic Birth" de Debra Pascali-Bonaro, cineasta americana. Portanto, as idéias sobre um parto pleno de prazer não são minhas, e nem provém da "cabeça estúpida de um homem". O debate sobre as possibilidades de um parto com prazer se iniciam com as descobertas de Niles Newton sobre a ação da ocitocina no cérebro feminino e passam pelas atuais pesquisas de Uvnas Moberg sobre o psiquismo e a fisiologia alterados por este hormonio prodigioso. Incluem também as novas descobertas sobre as endorfinas e a adrenalina, e os paralelos endocrinológicos entre parto e orgasmo. Inquietante, não? Infelizmente as pessoas que criticaram meu texto certamente não viram o filme, mas o preconceito arraigado de algumas mulheres que postaram aqui demonstra a enorme distância entre a vivência de um parto digno com a realidade que elas atravessaram nos seus próprios partos. É disso que falamos: a simples negação absoluta que vemos desta possibilidade nos informa (e nos entristece) das condições em que se processam os partos na sociedade ocidental contemporânea. Certo que minha condição masculina me impede de fazer um comentário engrandecido com a passagem pelo parto, mas infelizmente percebo que minha (in)experiência é tao grave quanto a de muitas mulheres que aqui escreveram, que tiveram partos tão violentos, dolorosos e insípidos quanto seria possível imaginar. Triste a sociedade que debocha da possibilidade de parir seus filhos com dignidade, harmonia, paz e (porque não, afinal?) ... prazer !!
Boa sorte a todas...
Um beijo
Ric

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds