Sábado, 26 de Julho de 2008

Lobo Antunes - um discurso

 

Muito bom, o discurso de ontem de António Lobo Antunes ao agradecer a atribuição do Prémio Camões, nos claustros dos Jerónimos. Gostei muito de ouvi-lo. De improviso e perante uma plateia recheada de Chefes de Estado, falou de uma forma fluida e totalmente à vontade sobre a Língua Portuguesa e a importância que esta tem no mundo, sobre a sua experiência de escritor e de cidadão português, sobre as suas preferências literárias e sobre as suas emoções e memórias. Citou inúmeros nomes das letras lusófonas, mas sem aquele academismo que torna os discursos chatos, e conteve-se no auto-elogio e no pedantismo fácil.

 

Ao contrário do que seria de esperar (eu, pelo menos, confesso que não me admiraria muito se assim fosse) não houve no seu tom o mais leve laivo de amargura ou de cinismo. Enfim, mostrou ser um um homem com uma cultura vasta, sólida e integrada, como se espera de quem já conquistou quase todos os prémios literários que lhe interessariam. Para a glória total, faltou o Nobel. Será que ainda o sente como uma pedra no sapato? Se sim, não pareceu.

 

publicado por Ana Vidal às 12:25
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5 comentários:
De Teresa a 26 de Julho de 2008 às 15:01
Ai sente, sente, querida Ana!

Sei de fonte seguríssima e acima de qualquer suspeita (gosta imenso da escrita dele) que a primeira coisa que ele fez quando publicou o primeiro livro foi mandá-lo traduzir imediatamente em sueco. Certamente estarás a descortinar as razões...

A minha vida anda um inferno (ontem entrei no Colosso às nove e saí perto da uma, quase 16 horas...), vou lendo como posso, para trás estou em dia. Não comentar não é desinteresse, é só saber que me requer um tempo de que não disponho, que apetece-me sempre ir por aí fora, tantas ideias me dás (obrigada).

Estou de partida, volto a 12 de Agosto. Fico duas semanas e vou para fora outra vez. Prevejo coisa de duas semanas e meia de acalmia em Setembro a permitirem-me pôr a blogosfera em dia. Depois aproxima-se Outubro e chega o pesadelo do grande O. No ano passado cheguei a sair de lá às sete da manhã... para voltar às dez e sair às quatro da madrugada... :)

Beijo enorme. E tenho saudades.
De Ana Vidal a 26 de Julho de 2008 às 16:55
Sei disso... por isso a minha pergunta é "será que AINDA o sente como uma pedra no sapato?"... Porque a verdade é que o achei muito mais pacificado. Pelo menos parecia, e eu observei-o bem de perto...

Caramba, tu não páras! E vamos desencontrar-nos outra vez, porque eu vou estar fora de 15 a 24 de Agosto. Quando eu voltar, vais tu...

Beijo e boas férias!
De Leonor a 26 de Julho de 2008 às 17:11
E merecia o Nobel. Pode ser que um destes dias justiça lhe seja feita. Não obstante, ouvi-o escarnecer do Prémio, julgo que quando recebeu um prémio em Jerusalém. Fiquei desiludida mas acho que depois de criada a personagem que é a imagem pública do escritor e a forma como gostaria de ser conhecido, são comuns estas afirmações categóricas e polémicas. Com ele e com quase todos os de renome.
De Ana Vidal a 26 de Julho de 2008 às 17:25
Também acho que merecia o Nobel, Leonor. Mas é exactamente por conhecer nele essa atitude provocatória e arrogante (que ele tem cultivado à exaustão), que me surpreendeu a bonomia deste discurso. Talvez seja mesmo verdade que a doença o modificou, não sei...
De Leonor a 26 de Julho de 2008 às 17:16
Prémio Jerusalém não em Jerusalém ;-)

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