Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Imaginação

 

 

Invento-te, sim. Quero-te ainda interrogação, ainda mistério, ainda e sempre desafio. Dispo-te as peles que usas, uma a uma, para vestir-te aquela que teci para ti. O meu olhar atravessa os muros que ergueste à tua volta, inúteis esconderijos a espicaçar-me a aventura da descoberta. Vejo-te à luminosa transparência da imaginação. Dou-te asas leves: voa! Dou-te olhos atentos: vê! Dou-te uma rota segura: a que te trará de volta um dia, ágil condor que atravessou montanhas e desertos para se encontrar e me encontrou, afinal.

 

(Imagem: René Magritte)

publicado por Ana Vidal às 19:03
link do post
21 comentários:
De fugidia a 2 de Junho de 2008 às 21:21
Espectacular quadro, belíssimas palavras, querida Ana!
De Ana Vidal a 2 de Junho de 2008 às 22:38
Gosto de divagar sobre um quadro, e os de Magritte desafiam-me sempre. Este é espectacular, também acho.
Beijinho
De Rita Ferro a 2 de Junho de 2008 às 23:28
O homem da tela não tem é jeito nenhum para desenhar à vista, coitado...
De mike a 2 de Junho de 2008 às 23:36
Pois não, Rita... coitado (risos).
De Rita Ferro a 3 de Junho de 2008 às 04:13
Multiópticas?
De Ana Vidal a 3 de Junho de 2008 às 09:15
Para quê? O melhor cego é o que não quer ver...
De Rita Ferro a 3 de Junho de 2008 às 09:19
Para te comer, avózinha...
De Ana Vidal a 3 de Junho de 2008 às 09:42
LOL. Se o capuchinho vermelho tivesse uns bons óculos nunca teria confundido o lobo mau com a avó. Era pitosga, realmente. Ou então estava mesmo a pedir chuva...
De Ana Vidal a 2 de Junho de 2008 às 23:37
LOL. Pois não, coitado, até tenho pena... espero que alguém lhe diga que não vai longe como pintor! Talvez se safe num aviário...
De O Réprobo a 2 de Junho de 2008 às 21:44
Querida Ana,
a parte secreta de nós é um empurrão potencial e desejado intimamente como suplemento alimentar do interesse pelo outro. Mas vive a aporia de esbarrar com um desejo oposto, o de que o perfil a deslindar corresponda à expectativa que se criou. Que fazer, então? Abdicar da surpresa que é afrodisúaco sentimental, ou da persistente ideia a que queremos conformá-lo?
Vou estragar este texto, nada feioso, mas de algum pretensiosismo, com o conselho que dava aos meus soldados - "não pense, aja, obedecendo". Neles reportava-me às ordens superiores, na escrutinação amorosa aos instintos respectivos.
Beijinho
De Ana Vidal a 2 de Junho de 2008 às 22:52
Nada feioso e muito filosófico, caro Paulo. E sábio, também. O dilema é esse mesmo, sempre: manter o mistério ou perseguir o conhecimento profundo? Ambos têm os seus riscos e fragilidades. Não sei a resposta, mas, quanto a mim, na dúvida sigo sempre a minha intuição.

PS: Ainda bem que não fui seu soldado, seria muito difícil para mim a obediência cega...
De Júlia a 2 de Junho de 2008 às 22:56

belo,belo!

adorei!

beijos
De Ana Vidal a 2 de Junho de 2008 às 23:46
Sempre querida, Júlia.
Beijinhos
De mike a 2 de Junho de 2008 às 23:40
E dizia a senhora que quando fosse a uma exposição de Botero se haveria de lembrar de me pedir que a acompanhasse para me ouvir divagar sobre os quadros... Deus me livre, digo eu na minha simplicidade atroz que será confundida com o meu lado mais básico. :)
De Ana Vidal a 2 de Junho de 2008 às 23:45
Deixe-se de modéstias, "senhor" Mike! O seu "lado mais básico" é uma belíssima defesa, é o que é...
Mantenho o pedido, e posso oferecer-me como cicerone quando a exposição for de Magritte. Combinado?
De cristina ribeiro a 3 de Junho de 2008 às 00:12
É mesmo como diz, Ana- afinidades -; ontem estive indecisa entre aquela reencarnação das «Três Graças» e este, que a levou a dar asas à imaginação...
Gosto muito.
Beijinho
De Ana Vidal a 3 de Junho de 2008 às 22:00
Vou continuar a trazer Magritte para aqui, Cristina. Os quadros dele falam connosco, não é? Também gosto imenso. Com Botticelli acontece-me exactamente o contrário: comove-me e deixa-me sem palavras.
beijinho
De sofia a 3 de Junho de 2008 às 17:05
Tens é uma imaginação muito fértil!!! Está belíssimo!

beijinhos
De Ana Vidal a 3 de Junho de 2008 às 22:04
Pois tenho, felizmente. Gosto de divagar, devagar...
beijinhos
De OnceinaWhile a 3 de Junho de 2008 às 17:49
.. excelente legenda Querida Ana .. particularmente a conclusão .. :)
Beijinho
De Ana Vidal a 4 de Junho de 2008 às 01:43
Once, :)

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds