Domingo, 18 de Maio de 2008

Feira de Velharias (9)

A minha Ericeira 

 

A tua Ericeira , Leonor, teve o condão de lembrar-me a minha (não muito diferente): a casa encostada ao Parque de Sta Marta, onde assisti embasbacada ao primeiro passo do Homem na Lua; o Café do Xico, onde se cozinhavam os namoros de cada Verão; o ringue de patinagem do Parque, onde exibíamos equilíbrios e piruetas para impressionar os possíveis candidatos, ao som do Calhambeque de Roberto Carlos; o Cinema do meu primeiro filme, "Sete noivas para sete irmãos" (!); os bolinhos de coco da Pinta, comidos quentes e em quantidades tais que enjoei o coco até hoje; o Ouriço, onde dei o meu primeiro beijo, de dentes ferozmente cerrados; a travessia a nado da praia grande para a praia do sul, que o meu pai fazia e nos arrepiava (os banheiros deixavam-no fazer a proeza, só a ele, porque o sabiam um nadador prodigioso); o Jogo da Bola depois da praia, onde combinávamos programas tão inocentes como nós; os passeios com os amigos até às Furnas, antes de jantar, com um frio de quase Inverno e um cheirinho a maresia incomparável... e tantas, tantas outras coisas mais, todas elas lembranças de tempos felizes.

 

Obrigada por me teres trazido à memória essa Ericeira perdida, onde só voltei há 2 ou 3 anos por insondáveis razões. Apesar de tudo, a essência da "nossa" Ericeira ainda lá está. Betão à parte, ainda encontrei a sua magia quase intacta.

 

Nota 1: Resposta à pergunta de Leonor Barros (Geração Rasca, 21 de Junho) - "E a tua Ericeira, como é?"

 

Nota 2:  A "minha praia" de sempre não é a Ericeira, mas o Baleal. Já falei nele aqui também. Acontece que, por circunstâncias que agora não interessa referir, passei na Ericeira alguns Verões fulcrais da minha adolescência, como se pode perceber pelas recordações que tenho dessa praia maravilhosa. E no meu coração cabem muitos lugares, como cabem muitas pessoas.

 

(Publicado pela primeira vez em 25/06/2007)

 

publicado por Ana Vidal às 01:44
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24 comentários:
De Leonor a 18 de Maio de 2008 às 12:40
Obrigada, Ana. Gosto da tua Ericeira :-)
Beijos
De Ana Vidal a 18 de Maio de 2008 às 13:20
Beijinho, Leonor.
:)
De Luísa a 18 de Maio de 2008 às 13:40
É também a minha Ericeira, Ana (com excepção do ringue de patinagem, em que nunca tentei - porque não conseguiria - impressionar ninguém). Obrigada por me trazer de volta essas imagens, esses sabores e esses cheiros da minha infância. :-)
De Ana Vidal a 18 de Maio de 2008 às 17:04
O ringue de patinagem era a minha coroa de glória, Luísa. Treinava em Sintra, brilhava na Ericeira. Era tiro e queda! Tudo isto no tempo dos patins de rodas, claro, e "do arroz carolino"...
:) Beijinho
De Zabal a 18 de Maio de 2008 às 13:44
Ahh que bons tempos esses em que a "barraca" do meu Pai ficava pertinho do "toldo" do Fernando Namora com quem ele conversava horas a fio.
Não que o meu interesse fosse para ele... era mais para as filhas...
;-)
De Ana Vidal a 18 de Maio de 2008 às 17:01
Também tu, Brutus? A Ericeira foi a praia da infância e adolescência do meu pai, quem sabe se não se conheceram?
Namoraste as filhas do Namora? Olha, isto soa estranho...
;)
De Zabal a 19 de Maio de 2008 às 01:54
Namorar, não namorei... Mas temos de convir que entre o pai Namora e as moçoilas... não tinha muita escolha!
De resto era um puto ingénuo... Esta saíu-me mal... Dizem que ainda sou!
:-)
De mike a 18 de Maio de 2008 às 14:28
Ana, humm... como direi isto?... quantas (boas) memórias da Ericeira e alguma nostalgia... Aqui o seu assíduo leitor, da Ericeira, apenas guarda memórias das ondas que lhe castigaram (e às vezes ainda castigam) o corpo. :)
De Ana Vidal a 18 de Maio de 2008 às 17:09
E não são boas também, essas memórias? A nostalgia não é necessariamente tristeza, Mike. As minhas memórias da Ericeira são tão boas que isto me deu vontade de lá ir outra vez. E como estou mesmo aqui ao lado, um peixinho fresco nas Furnas vem mesmo a calhar... hummm... não vai demorar muito, cheira-me.
:)
De Manecas a 18 de Maio de 2008 às 17:46
Bom, aqui fica mais um que passou em miúdo pela Ericeira, e que a ela volta de vez em quando, com gosto, porque ainda há locais que resistem à ditadura do betão, e mantêm o típico azul e branco...

Nós (os meus primos eram 8 e nós 4)variávamos na época balnear entre a Ericeira e São Martinho do Porto e volto a qualquer destes sítios , fora dos meses da praia obviamente, sobretudo para comer um peixinho fresco.

Antes de ires, se quiseres uma recomendação dum sítio pequenino mas divinal, avisa.

Recordações são muitas.

Desde todos a termos papeira, como os primeiros filmes (na Ericeira iniciámos a saga da Marisol e do Joselito ) até obviamente à patinagem no Parque de Santa Marta, e os inevitáveis tombos...

E assisti à inauguração da Casa Gama, das areias e dos queques quentinhos. Hoje quem lá está é um filho da senhora que era a dona na altura...Já estive à conversa com ele...

Beijinhos
De Ana Vidal a 18 de Maio de 2008 às 17:58
Ah, a Marisol e o Joselito! O que tu foste lembrar!! Esses vi-os num cinema muito especial, de que hei-de falar aqui um dia destes. Eram filmes de fazer chorar as pedras, uma desgraça pegada!

Não sabia que também tinhas passado pela Ericeira. Voilá, como diz a minha amiga Teresa, "les beaux esprits se rencontrent" (diz ela e parece que dizia o Voltaire, para a imitar...)

Quero, sim , essa recomendação. Eu só conheço os antigos, não sei onde se come bem agora. Hummmm, as areias e os queques! Lembro-me muito bem deles!

beijinhos
De O Réprobo a 18 de Maio de 2008 às 19:17
Da Ericeira guardava uma tristeza vaga e um interesse recente: a do local de partida para o exílio do Último Rei (até agora) e o de leitura de interessante da recolha de um especialíssimo falar piscatório. Vista pelos olhos e com a Arte de Alguém De Que tanto gostamos, têmo-la com outra predisposição, evidentemente.
A Ana, entretanto anda muito falada em conversas transatlânticas. Cherchez, cherchez!
Beijinho
De Ana Vidal a 18 de Maio de 2008 às 19:43
Obrigada, Paulo, mas são meras evocações emotivas, nada mais. Ao contrário de si, as minhas memórias são alegres. E o que é isso de ser falada num transatlântico? LOL. Cheira-me a coisa da Meg... ou não? Dê-me uma pista onde procurar, porque não faço a menor ideia.
Beijinho
De O Réprobo a 18 de Maio de 2008 às 21:45
Quente, quente,
mas se quiser a escaldar é aqui:
www.blogger.com/comment.g?blogID=3210439069841718541&postID=2442118993216392363&isPopup=true

Beijinho
De OnceinaWhile a 19 de Maio de 2008 às 10:37
.. que belissimo pedaço de memória que assim nos oferece Querida Ana .. onde se adivinha uma felicidade por tudo ter vivido desta forma :)
Beijinho
De Ana Vidal a 19 de Maio de 2008 às 12:27
É verdade, Once.
Um beijinho.
De psb a 19 de Maio de 2008 às 15:56
Ana
A descrição evocativa está, como habitual, do melhor. Mas, o Baleal confidenciou-me, perplexo, que está tristíssimo e cheio de ciúmes, porque te julgava só dele...
Hum... Ericeira...
Por acaso, também por lá andei, mas esporadicamente em casa dos meus primos Silveira Botelho Manel , João, Teresa...) Beijinhos
De Ana Vidal a 19 de Maio de 2008 às 16:54
E não nos cruzámos por lá, vê lá tu... estranho.

Não digas nada ao Baleal, Pedro, mas isso era tudo o que eu queria: deixá-lo ciumento. Voilá!
Beijos

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