Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Observatório



Quidam - o Circo da Vida

 

 

Ontem fui ao Circo.

 

Mas não um Circo qualquer. Fui ver o Cirque du Soleil, na tenda montada no Passeio Marítimo de Algés, de onde saí perfeitamente extasiado.

 

A expectativa era grande. Tinha comprado bilhetes mal o espectáculo foi posto em cartaz, pensei eu, e, quando dei por mim, em meados de Janeiro, a oferta dos bilhetes disponíveis já era bastante limitada, mas lá consegui arranjar para uma qualquer data que ainda tinha lugares.

 

Estava em total desconhecimento do que me esperava, pois nunca tinha vislumbrado qualquer imagem de espectáculos anteriores, sugestionado apenas pela fama anunciada e por algumas opiniões ouvidas a quem tinha assistido à representação, menor, de outro que tinham feito há pouco tempo em Portugal.

 

Fiquei logo surpreendido pelo rigor no cumprimento do horário, com início marcado para as 21,30, coisa pouco habitual. O meu atraso, também não habitual, de cinco minutos, obrigou-me a entrar pé ante pé, no ambiente escuro de uma tenda gigantesca, aguardando à porta pelo final do primeiro quadro até ser conduzido ao meu lugar.

 

Já sentado, com os sentidos todos alerta, deixei-me embeber naquela arena onde tudo acontecia, apercebendo-me do tipo de circo onde tinha entrado.

 

O cenário em tecto abobadado com cúpula cheia de luzinhas e efeitos de céu estrelado, envolvido por uma plateia enorme em penumbra escura, com um excelente jogo de luzes a acompanhar as acções de palco, com banda musical ao fundo a tocar ao vivo, num enquadramento acústico potente e bem distribuído.



O palco num movimento constante, permanente, de umas dezenas de actores que entravam a saíam, desenhando coreografias extraordinárias, num guarda roupa fantástico a lembrar surrealismos à la Bosch, que introduziam, sem quase nos apercebermos, os verdadeiros artistas de circo, acrobatas, ginastas, contorcionistas, mimos, numa qualidade a reflectir muito trabalho, dedicação e profissionalismo.

 

Foi o êxtase absoluto! Sendo a expectativa grande, o espectáculo a que assisti superou-a largamente. E foi com pena que assisti ao fechar do pano, com a companhia toda em palco a receber as merecidas palmas entusiásticas do meio mundo sortudo que ali esteve, numa representação esplêndida sem vozes nasaladas a chamar pelos meninos e meninas presentes, que me fez voltar à minha meninice, lembrando-me os saltimbancos que espreitávamos embevecidos em actuações nómadas pelas ruas de Lisboa.

 

A ilusão tinha terminado e amanhã é outro dia. Outros circos nos esperam. Com menos brilho, com menos encanto, com menos profissionalismo. Mas com muita música e muitos actores (baratos), que mal sabem o seu papel, mas têm de estar na arena… insistindo, sempre, em andar por aí…


 

Pedro Silveira Botelho

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publicado por Ana Vidal às 22:37
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8 comentários:
De Ana Vidal a 1 de Maio de 2008 às 23:13
A tua descrição deixou-me invejosa, Pedro. Ao contrário de ti, acompanhei de longe o nascimento e evolução espantosa do Cirque du Soleil. É um conceito completamente diferente do Circo tradicional, que aproveita o melhor deste e lhe acrescenta muitas Artes mais. Um deslumbramento, e uma qualidade insuperável. Andei anos a tentar vê-lo em qualquer sítio e nunca calhou. Em Londres esteve quase, mas os meus filhos preferiram o Stomp e depois já não deu. Assim que soube que eles vinham cá, fui a correr comprar bilhetes para o Pavilhão Atlântico, e... foi uma decepção. Tudo muito lá ao longe, o som mau, o espectáculo mais de efeitos especiais do que propriamente de Arte, circense ou outra.
Depois disseram-me que tinha sido o pior espectáculo do Cirque, e que voltariam cá para uma exibição à altura, numa tenda montada para o efeito como acontece em todos os países. Não comprei bilhetes ainda, mas já soube que o espectáculo foi prolongado até ao fim do mês. Acho que vou outra vez, não resisto...
De psb a 1 de Maio de 2008 às 23:32
Ana
Obrigatório... até para recuperares (aumentando) a boa imagem que tinhas e esqueceres a má experiência Atlântica.
Beijos
De musqueteira a 2 de Maio de 2008 às 10:57
viva ana vidal... deixei uma referência sobre o seu blog na minha página das cores!
um beijo,
Maria
De Ana Vidal a 2 de Maio de 2008 às 15:14
Obrigada, Maria. Já lá fui também agradecer, mas volto a fazê-lo aqui.
Um beijinho
De sc a 2 de Maio de 2008 às 11:46
São, de facto, muito bons. Tive de abrir uma excepção à minha afirmação "não gosto de circo" depois de assistir a um espectáculo deles.
De Ana Vidal a 2 de Maio de 2008 às 14:35
Vou tentar ainda ir vê-los, antes que se vão embora. Nem que seja para desfazer a sensação com que fiquei no espectáculo que vi.
E eu gosto de circo, sempre gostei. Mesmo do velhinho e pobre de recursos a que estávamos habituados, porque sempre teve uma magia especial para mim.
De Anónimo a 3 de Maio de 2008 às 19:44
Gosto sempre de ler as suas crónicas, PSB. É uma voz lúcida e sóbria, muito diferente do que se vê por aí na blogosfera. A Ana V. fez muito bem em convidá-lo para este excelente blogue, vocês completam-se muito bem.
Quanto ao circo, se conseguir encontrar bilhetes ainda vou ao Quidam. Não é meu costume gostar desse tipo de espectáculos, mas a sua descrição convenceu-me.
Abraço
De psb a 5 de Maio de 2008 às 17:45
Anónimo
Obrigado pelo seu comentário e ainda bem que o convenci a ir ver o Quidam (sem ser esse, no entanto, o meu propósito), pois acho que não se vai arrepender. Dê-nos depois o feeb-back com a sua apreciação.
Um abraço

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