Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

O pálido ponto azul

Recebi este presente por mail, e não resisto a partilhá-lo aqui. Comentada pelo próprio Carl Sagan, uma viagem fascinante àquilo que somos realmente, no Cosmos: um pálido ponto azul, belíssimo mas insignificante.

Juntei-lhe um poema a propósito, de que gosto muito, de Paul Éluard.

E assim se faz um post com o talento de outros, quando a nossa própria imaginação tira férias e vai a banhos. A culpa é deste sol...



La terre est bleue

La terre est bleue comme une orange
Jamais une erreur les mots ne mentent pas
Ils ne vous donnent plus à chanter
Au tour des baisers de s'entendre
Les fous et les amours
Elle sa bouche d'alliance
Tous les secrets tous les sourires
Et quels vêtements d'indulgence
À la croire toute nue.

Les guêpes fleurissent vert
L'aube se passe autour du cou
Un collier de fenêtres
Des ailes couvrent les feuilles
Tu as toutes les joies solaires
Tout le soleil sur la terre
Sur les chemins de ta beauté.

Oeil de sourd
Faites mon portait.
Il se modifiera pour remplir tous les vides.
Faites mon portrait sans bruit, seul le silence,
A moins que - s'il - sauf - excepté -
Je ne vous entends pas.

Il s'agit, il ne s'agit plus.
Je voudrais ressembler -
Fâcheuse coïncidence, entre autres grandes affaires.
Sans fatigue, têtes nouées
Aux mains de mon activité.

(1929 - Ce poème provient du recueil intitulé " L'amour la poésie " - Paul Eluard)
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publicado por Ana Vidal às 22:38
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7 comentários:
De O Réprobo a 28 de Abril de 2008 às 23:59
O segredo, Querida ana, estará em aplicarmos as roupagens de indulgência do Poema, não propriamente ao planeta - que é suporte -, mas à nossa alma, que é motor e combustível do que nos cremos, porque nos queremos.
Beijo
De Ana Vidal a 29 de Abril de 2008 às 20:17
É isso mesmo, Paulo.
Beijinho
De Huckleberry Friend a 29 de Abril de 2008 às 13:20
O filme e o poema lembraram-me esta quadra de outro Paul (Valéry)

Patience, patience,
Patience dans l'azur!
Chaque atome de silence
est la chance d'un fruit mûr!


Foi usado como epígrafe pelo grande divulgador de ciência Hubert Reeves, num livro intitulado, precisamente, Patience dand l'azur. Em Portugal, por uma vez, a tradução foi inteligente. Chamaram ao livro Um pouco mais de azul e foram buscar Mário de Sá-Carneiro para a epígrafe. É um livro fascinante, que mostra a pequenez daquilo que somos à escala universal. Tal como esta reflexão de Sagan.
De Ana Vidal a 29 de Abril de 2008 às 15:48
Linda, a epígrafe de Valéry. E a referência a Mário de Sá Carneiro foi sábia, pelo maravilhoso "Quase":

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além. (...)

É um bom exercício, este de vermos a nossa real dimensão na escala cósmica. Um óptimo exercício de humildade, que nos faz tanta falta.

Tens sempre um contributo inteligente, Huck!
Beijinho

De Júlia a 29 de Abril de 2008 às 23:29
lindo, Ana!...
De Samuel a 30 de Abril de 2008 às 01:29
E quantas vezes o nosso melhor talento é exactamente reconhecer o talento dos outros? Tantas...
Estive sem aparecer... por preguiça. O blog está muito bem esgalhado. Já está actualizado o link no "Cantigueiro".

Abreijo
De Ana Vidal a 30 de Abril de 2008 às 03:09
Ora aí está uma grande verdade, Samuel!
Seja muito bem reaparecido, e volte sempre.

Abraço

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