Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Esclarecimento

Não é meu costume bater em ceguinhos. E também não tenho o hábito de alinhar em caças às bruxas ou em poses farisaicas fáceis, porque escudadas numa legião de concordantes, contra alguém que prevaricou, muito ou pouco. Se aderi à crucificação do primeiro ministro por causa do longínquo projecto (apenas assinado ou saído do seu mau gosto embrionário) daquela espécie de "casa dos bicos" em trompe l'oeil de azulejo de casa de banho, foi porque ele tem provado, à exaustão, ter um total e absoluto desprezo por todos nós.
Não me parece que o pecado de assinar projectos destes seja assim tão grave, ainda por cima aos vinte e tal anos. Afinal de contas, mamarrachos há-os por todo o país, infelizmente. Este é só mais um, feito por um engenheireco recém-formado (ainda sem pretensões a primeiro ministro, julga-se) que queria ganhar umas coroas ou fazer o jeito a alguém, como tantos outros. E o gosto educa-se, aprende-se, refina-se com o tempo e com um esforço pessoal que não parece ter faltado nunca ao ambicioso Sócrates. Eu - e julgo que muita gente dirá o mesmo - perdoar-lhe-ia de bom grado a escorregadela arquitectónica, fosse ele mais humano. Mas a insuportável arrogância deste Armani man inacessível, que nos vende uma imagem cuidada de quem foi nado e criado num sofisticado loft novaiorquino do west end, impossibilita-nos o fechar de olhos ao passado incómodo. Só por isso não resisto a lembrar-lhe que também tem telhados de vidro. Ou melhor, de chapa de zinco.
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publicado por Ana Vidal às 00:32
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5 comentários:
De av a 8 de Fevereiro de 2008 às 20:15
Lol, milord. No seu caso compreende-se, é o sangue azul...
beijos
De Lord Broken Pottery a 7 de Fevereiro de 2008 às 19:43
Ana,
Somos parecidos, também não sou de ficar cutucando seja quem for. Arrogância, porém, só tolero em mim mesmo, quando faço questão de ser.
Grande beijo
De leonor a 7 de Fevereiro de 2008 às 13:07
Concordo em absoluto, Ana, se ele não fosse tão arrogante ninguém se lembraria de lhe ir vasculhar o passado.
De av a 7 de Fevereiro de 2008 às 02:07
Verdade, JG. Mais vale sê-lo que parecê-lo, sempre.
De JG a 7 de Fevereiro de 2008 às 01:55
Aplausos.
O nosso povo, na sua sabedoria, diz:
"Parece-se o que se parece; é-se o que se é"
E não há forma de fugir disto, por muitos Armanis que se ponham e muitas gravatas imaculadas que se pendurem no cachaço.

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