Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Dona Maria

Para completar esta homenagem à minha Mãe, transcrevo aqui parte de um poema do meu querido amigo e poeta maior Thiago de Mello, que, com a sua ternura, me ajudou (mais do que julga) a passar por este momento difícil. O poema chama-se "Dona Maria" - o nome da sua Mãe - e foi escrito no dia em que ela morreu.
(Juntei-lhe uma fotografia que encontrei por aí e que achei admirável. Não sei quem é o autor nem o modelo, mas pareceu-me uma Mãe - talvez a de todos nós - sábia e resignada, esperando o cumprimento inevitável de um ciclo).


DONA MARIA


Dona Maria está partindo.

Parece que está dormindo.

Mas já está chegando ao finzinho

do vale que leva à eternidade.



Quero só ver o que a eternidade

vai fazer com Dona Maria.

Ela sempre garantiu, desde mocinha,

que ia morar lá no céu.

E muito ouvi dela que Jesus,

de quem era serva fiel,

a esperava, contente.

Conversava com ele

como pessoa da sua maior intimidade.

Falava do céu como do jardim

cheio de roseiras e begónias

da casa dela na rua José Paranaguá.



Isso, ela. Eu, que não tenho lá essas certezas,

convencido de que a verdade da vida eterna

não chega a me dizer respeito,

acho que tenho o direito de esperar

que a Eternidade, com maiúscula,

dê a Dona Maria, pelo menos,

uma das tantas flores de bondade

que o seu coração repartiu

com o seu companheiro de vida,

os filhos (contando os de criação),

os irmãos, os parentes, as pessoas amigas,

e especialmente as desconhecidas,

pois a todos considerava filhos de Deus.



Sinto imensa precisão

de que ela me atenda mais uma vez.

Então lhe peço, como desde menino:

"A bênção, minha Mãe, Dona Maria!"

Mas desta vez ela não me responde,

como sempre fez, com sua fé prodigiosa:

"Deus te abençoe, meu filho,

Deus te faça feliz!"

Não me abençoará nunca mais.

Porque minha Mãe Dona Maria

acaba de partir para a eternidade.



A Poesia pode ser uma mão redentora. Neste caso, cumpriu esse papel com o zelo de um amigo próximo. Obrigada, Thiago. Espero poder um dia retribuir-te, de alguma forma.
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publicado por Ana Vidal às 00:00
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