Sábado, 20 de Outubro de 2007

Pedras Muitas

.
PEDRAS MUITAS

Na pedra mais branca
recosto a cabeça.
Que ninguém me impeça
de ver nela as penas
de mil almofadas.
Marítimas penas
de gaivotas mansas,
rasando enseadas
numa lenta dança.
Que hoje me adormeça
esta luz quebrada,
esta eterna esperança.
Maresias plenas
só o sonho alcança.

Na pedra mais pura
que o vento esculpiu,
encontro o enlace,
revelo o segredo
descoberto a medo
com dedos de frio:
inscrevo-lhe um nome,
como se o calasse.
Se o tempo parasse
agora, o navio
que na noite escura
contigo partiu,
talvez me levasse,
talvez naufragasse
na pedra mais dura
que jamais se viu.

Nas pedras que vejo
descanso o olhar.
Pedras muitas, tantas,
tão silenciosas
e tão preciosas
que só um desejo
as sabe contar.
Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 02:14
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8 comentários:
De Luis a 22 de Outubro de 2007 às 20:02
Sinceramente achei Ana.

Bjs
De ana vidal a 22 de Outubro de 2007 às 14:37
Ainda bem, Pedro, que bom!

Engraçado, Luís. Dizem-me sempre que o que escrevo tem música. Parece que também achas.

bjs
De Pedro a 22 de Outubro de 2007 às 13:07
Beijinhos, e espero que tenha sido uma sesta inspiradora.

Para ela não sei, para mim sim.
De Luis a 22 de Outubro de 2007 às 11:35
Quase se ouvem as guitarras Ana. Quase se identificam as vozes.
De ana vidal a 21 de Outubro de 2007 às 01:26
Beijinhos, e espero que tenha sido uma sesta inspiradora.
De Sofia a 20 de Outubro de 2007 às 19:02
Eu estive lá perto de umas pedras muitas! E deitei a cabeça nas pedras poucas e fiz uma sesta a meio da manhã... não há melhor! Bonito poema.

beijinhos
De ana vidal a 20 de Outubro de 2007 às 11:48
Obrigada, Margarida.
Afinal parece que soube muito bem o que dizer... disse-o, aliás, com muita poesia!

Um beijo
De Margarida a 20 de Outubro de 2007 às 07:15
Belíssimo poema, Ana.

Nunca soube o que dizer de um belo poema, senão mesmo que o acho belo, que o sinto como tal. Desde pequena. Aqui e ali, deixo-me embalar, levar por uma palavra, uma imagem, uma sugestão. Sabe-me bem.

Hoje, então, recosto a minha cabeça na pedra mais branca. Que não há. Em mil almofadas, que mal entrevejo. Melhor vislumbro essa luz quebrada, por ser quebrada. Descanso o olhar, nas pedras, preciosas, que não vejo. No silêncio dos desejos. Que não sei contar.

Bonita fotografia.

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