Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Vergonha

Que país é este, que ao fim de sete anos ainda não fez um público e inequívoco mea culpa quanto às vítimas de Entre-os-Rios?
Que ao fim de sete anos ainda não indemnizou (e seria sempre apenas simbólico) as famílias, como se estas estivessem a pedir alguma coisa a que não têm direito, depois de uma tragédia de que não tiveram a menor culpa e lhes alterou a vida para sempre?
Que ao fim de sete anos se sujeita, sem vergonha à vista, a esta bofetada de luva branca, dada com toda a categoria por essa gente desiludida por tanta injustiça e tanta falta de dignidade?
Parece que só Camões os entende e justifica:
...
Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se não a tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
dizendo: Mais servira, se não fora
pera tão longo amor tão curta a vida!
Nota: Junto-me, assim, ao protesto do RAA, no Abencerragem.
publicado por Ana Vidal às 19:32
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9 comentários:
De RAA a 10 de Março de 2008 às 01:05
Um abraço, vizinha!
De av a 8 de Março de 2008 às 19:30
É terrível a tua conclusão, Júlia, mas acho que todos concordamos com ela, infelizmente: este país está podre. Recuso-me a acreditar que não tem salvação possível, mas muitas coisas terão que mudar nas nossas atitudes para que isso aconteça. E não me parece que seja para já esse despertar de uma consciência colectiva adormecida há séculos, que nos leve a a bom porto.
De Júlia Moura Lopes a 8 de Março de 2008 às 12:56
o poemade do pastor de Lapão! gosto tanto!
Adapta-se a esta situação,sim. gostei da analogia.

este pais está podre...
De MariaV a 8 de Março de 2008 às 12:54
E o pior de tudo, é que estamos cada vez pior. A arrogância que se vem instalando nos últimos tempos a vários níveis, faz com que, cada vez mais, só se apurem responsabilidades dos mais pequenos, dos que apenas são o último elo da cadeia. Nunca ouvi falar tanto em processos disciplinares como nos últimos 2 anos, mas esses são tratados sem qualquer mediatismo, atrás das paredes dos serviços, com o único objectivo de fingir que se faz justiça. As responsabilidades que deveriam ser exigidas aos responsáveis, que não sabem sê-lo, que só estão nos lugares para fazer curriculum, nunca o são. E "quem se lixa, é sempre o mexilhão".
O Estado, embora teoricamente de direito, não o é, e pior, não é pessoa de bem, porque não são de bem, na maior parte dos casos, as pessoas que o fazem. Lamento imenso, mas esta gente não tem VALORES.
De tcl a 8 de Março de 2008 às 01:00
concordo em absoluto. mais que encontrar um rosto para a culpa, o Estado deveria ter cumprido as suas obrigações. Afinal, supostamente, vivemos num Estado de Direito, não é? Nestes casos, não me parece importante encontar um, ou dois, ou três culpados, de tal forma a culpa se dilui num enredado de instituições, de gabinetes, de papeis. Nestes casos, a culpa é do colectivo, é do Estado enquanto figura que tutela o país. Também não percebo as tramas desta nossa "justiça"
De av a 7 de Março de 2008 às 23:03
Teresa, claro que te compreendo...
beijinho
De av a 7 de Março de 2008 às 23:03
É justamente essa recusa em assumir responsabilidades, esperando que o tempo as apague em vez de encará-las de frente, o que mais abomino neste país. A culpa morre sempre solteira, numa trama de intrigas e no jogo do empurra que sempre aparece nestas situações. Devia primeiro assumir-se a responsabilidade perante as vítimas, e depois então apurar culpas e culpados. Mas faz-se exactamente o contrário, até à desistência, por exaustão, das pessoas. É triste.
De O Réprobo a 7 de Março de 2008 às 22:09
Qierida Ana, claro que a ibemnização é sempre uma aproximação, nunca uma substituição. As pontes são matéria sensível em todo o Mundo. Ainda o ano passado uma Senadora do Minnesota dizia duma que desabara, ser um tal desastre incompatível com a ideia que fazia da América.
Mas é evidente que só cá se espera que o tempo apague a responsabilidade.
Beijinho
De Teresa a 7 de Março de 2008 às 21:30
Aplaudo a inspirada escolha dos tercetos do Sete anos de pastor Jacob servia.
Quanto ao mais não me pronuncio e tu sabes porquê.

Beijo.

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