Sábado, 8 de Março de 2008

Dia de... quem??

Já o disse várias vezes aqui - embirro solenemente com esta moda dos "dias de". Mas com o de hoje, confesso, embirro mais ainda.
Não me interessa se se aproveita a data para chamar a atenção para os problemas do universo feminino, que continuam a ser muitos e graves, infelizmente. Lamento é que as mulheres se agarrem a esta migalha patética para fazer valer os seus direitos e ouvir a sua voz, não percebendo que o seu "dia de" as remete para o eterno guetto do costume: o de uma estranha população incómoda, barulhenta e histérica, que no passado perdeu muitas vezes a razão pelos excessos e que se agiganta agora em todas as frentes, ameaçadora. É ridículo que haja um "dia da mulher", pela simples razão de que essa inocente (?) intenção converte todos os outros em "dias do homem". Ou não será assim?
Todos os dias são, afinal, das mulheres e dos homens, construindo pontes e derrubando barreiras sem espavento mediático, talvez, mas com muito mais eficácia. Dando uso às emoções mas também à inteligência, que é para isso que serve o cérebro que todos temos, homens ou mulheres. Por isso, este dia especial não faz o menor sentido para mim. Mais: é um insulto.
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publicado por Ana Vidal às 11:56
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14 comentários:
De Melões Melodia a 10 de Março de 2008 às 23:28
Estou totalmente de acordo.
Beijo
De av a 10 de Março de 2008 às 11:31
É isso, tcl. Acirrar as diferenças (as más, que as boas é bom manter e cultivar) entre homens e mulheres é a melhor maneira de cavar fossos e criar barricadas, além de estar completamente fora de moda. No séc. 21 já devíamos ter ultrapassado esses atavismos e estar mais avançados, todos nós.
De tcl a 10 de Março de 2008 às 02:15
Ana, 100% de acordo. Já te tinha em boa conta, subiste mais uns valentes pontos. Aceitar um dia da mulher é aceitar um estatuto de coitadinha a que me recuso. Como alguém disse aí para cima, talvez tu mesma, é no dia a dia,no trabalho e na demonstração das capacidades das mulheres enquanto seres humanos que se vão esbatendo as diferenças que infelizmente ainda há. E há-as enormes nos países menos desenvolvidos, num mundo que, felizmente, não é o nosso.
Mas nunca será com a existência de um dia da mulher que as situações dramáticas de descriminação se vão resolver.
De av a 9 de Março de 2008 às 20:11
Não exageres, Meggy, foi só um desabafo. Mas irritam-me estes presentes envenenados, que o comércio aproveita de imediato transformando tudo num circo piegas e pateta. Não alinho nisso. Quero a atenção que me dão bem distribuída por todo o ano...
;)
Beijinhos, querida.
De Meg (Sub Rosa) a 9 de Março de 2008 às 19:16
Ana querida:

Clap, clap, clap!

Beautifuly and brilliantly said!

Post antológico, do qual me aproprio, ao meu modo.

Tudo o que diria se soubesse escrever tão brilhantemente como a Ana!
Um beijo e congrats.
Meggy
De av a 9 de Março de 2008 às 16:14
Muito bem, "sócio". Não esperava outra coisa de ti. Somos Gente, todos nós, e isso devia bastar.
De PSB a 9 de Março de 2008 às 15:50
Estou em total acordo com a hipocrisia desta efeméride. Prezo em constatar que há Mulheres que não se deixam embalar por esta patetice, a começar pela nossa anfitriã a postar com clareza a sua opinião e pelos comentários das outras Mulheres que aqui se pronunciaram na mesma linha. Aceitar a existência deste Dia da Mulher é exactamente sufragar os outros 364 como dias do homem, como referiu a Ana.
Compete-nos a nós, Homens e Mulheres íntegros e de plenos direitos, anular as diferenças que, lamentavelmente, muitos ainda praticam, não com efemérides bacocas mas com acções concretas no dia a dia de cada um, que dignifiquem a Pessoa Humana pelo que é, independentemente do seu género.
De Sofia a 8 de Março de 2008 às 23:59
'Dia de'... ai como eu embirro com essa designação, seja do cão, do gato ou do piriquito.

Acho mesmo que é o que chamas de 'presente envenenado que as próprias mulheres dão a si próprias', porque o aceitam.

Havia alguém que me dizia que o marido lhe dava sempre flores no dia da mulher, porque ela lhe fazia todos os dias o pequeno-almoço. E ela perguntava-me: 'Não é uma ternura?'... 'Eu respondi:'Nenhuma', mas ela não percebeu, ainda há quem não perceba.

O problema é que o que se passa aqui com as flores, passa-se com os dados da violência doméstica, da discriminação no trabalho e muito mais... neste dia lembram-se, mas amanhã esqueceram-se. E não se passa do mesmo. Um dia não faz a diferença e não alerta o suficiente.
De av a 8 de Março de 2008 às 20:32
Um beijinho, Hetie.
De Hetie & Claudio a 8 de Março de 2008 às 20:28
Absoultamente correta! Concordo Ipsis Litteris! Beijos, Hetie

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